O estresse do cuidador de idosos com Alzheimer e a qualidade do seu sono: Equilíbrio Ocupacional na Rotina

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O estresse do cuidador de idosos com Alzheimer e a qualidade do seu sono é um assunto tão extenso e importante. Comecei em um post anterior a “falar” sobre o assunto (clique aqui), e hoje quero dar um passo a mais, e desta vez, não sobre “o problema em si”, mas em apontar um caminho que pode ajudar.

Construir uma rotina equilibrada quando se exerce o papel de cuidador não é tarefa fácil, mas se o cuidador aproveitar a idéia do Equilíbrio Ocupacional poderá iniciar uma série de reflexões. Estas sobre o que de fato é importante para si e do quanto o seu estilo de vida pode ser modificado (apesar da sobrecarga do momento) para lhe trazer bem estar.

As pesquisas de Karen Hammells, teórica da Ciência Ocupacional podem ajudar nesse processo. Ela sugere que as ocupações sejam divididas em quatro categorias: 

  • Ocupações RESTAURADORAS: que contribuem para o sentimento de estar aqui e agora (meditação, mindfullness, auto massagem);
  • Ocupações de PERTENCIMENTO: as que promovem conectividade com ‘algo maior’ (religiosidade, fé antropológica, relação com a natureza);
  • Ocupações de ENGAJAMENTO: aquelas que envolvem senso de capacidade e produtividade no aqui e agora (são as AVD, AIVD, trabalho, lazer);
  • Ocupações de PLANEJAMENTO: incluem planos pro futuro, projetos de vida (grandes ou pequenos).

A idéia, segundo a autora, é que o Equilíbrio Ocupacional pode ser  alcançado mediante engajamento nessas categorias de ocupações de acordo com as prioridades, necessidades e valores de cada um.

Neste continuum de busca pelo bem estar, terapeutas ocupacionais podem ajudar os cuidadores a identificar ‘pontos fortes’ e pontos que ‘precisam ser trabalhados’ para construir uma rotina de qualidade. 

Pesquisas na nossa área envolvendo a prática de redefinição de estilo de vida apontam dois fatores principais como preditores de bem estar:

  • A qualidade da conexão social
  •  O sentimento de ter capacidade de gerir sua própria vida

Assim, o cuidador precisa pensar em ‘comportamentos adaptativos’ que o ajudem a redefinir objetivos e metas atingíveis para fortalecer o sentimento de controle de sua própria vida, apesar da sobrecarga de trabalho, que nem sempre pode ser modificada imediatamente.

Desta forma, buscar o Equilíbrio Ocupacional necessário para trazer bem estar e, por sua vez, promover um melhor padrão de sono não é tarefa simples. Requer sensibilidade, disciplina e uma boa dose de amor-próprio.Sensibilidade para entender que o processo é lento e gradual; disciplina para evitar hábitos ‘empobrecedores’ (como tempo demasiado diante da TV) e amor-próprio para se perceber merecedor de uma vida repleta de momentos de bem estar. 

Mas, para além das questões subjetivas do cuidador, existem questões objetivas relacionadas ao ato de cuidar de um idoso com Demência de Alzheimer que podem influenciar o nível de estresse e da qualidade do sono de ambos. A organização da rotina do idoso com espaço para vivências que contemplem seu histórico ocupacional e que favoreçam sua organização temporal interna é uma delas.

Sobre este assunto, vamos discutir no próximo post. E, deixaremos para download um material muito rico sobre esse assunto!

Autora: Ana Luiza Rodrigues da Costa Terapeuta ocupacional formada pela UFPE em 1985. Mestre em Serviço Social pela UFPE (2004), sócia e diretora clínica da REATO – Reabilitação em Terapia Ocupacional. atendimento@toreato.com.br. Instagram REATO: @reato.to

Leia mais no reab:

Estresse do Cuidador de Idosos com Alzheimer e a Qualidade do Sono

A Organização do ambiente do idoso precisa ter significado para ele, concorda?

A Terapia Ocupacional e a Felicidade

Referências do post:

Dür at. Al. Development of a new occupational balance-questionnaire: Incorporating the perspectives of patients and healthy people in the design of a self-reported occupational balance outcome. In: Health and Quality of Life Outcomes 2014,

Hammell, K. Self-care, productivity, and leisure, or dimensions of occupational experience? Rethinking occupational “categories” In: _ canadian journal of occupational. Vol. 76, n. 2  © caot publications ace therapy _ april 2009

Juang at Col.Understanding the Mechanisms of Change in a Lifestyle Intervention for Older Adults. In: The  Gerontologist, 2018, Vol. 58, No. 2, 353–361doi:10.1093/geront/gnw152. Advance Access publication 24 January 2017

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

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