Em Recife, fizemos um convite: uma roda de conversa sobre o Envelhecimento Feminino. Objetivo maior, refletir sobre o envelhecer da mulher e, quem sabe, criar estratégias para um envelhecimento mais saudável, mais ativo e mais feliz. Claro que, entendendo que o conceito de saúde vai para além da doença, e está no bem-estar, na participação das ocupações, relações e papéis que são importantes para a pessoa idosa. Sem esquecer, que falar da mulher, do feminino e toda a trama social e cultural envolvida é um universo gigantesco.
Na preparação para esta roda de conversa, com todo esse pano de fundo de complexidades, em uma busca por mais fundamentação e compreensão sobre o recorte do envelhecimento feminino, foi realizada uma pesquisa na revista Geriatrics. Um dos artigos encontrados, apresentou como população de corte, o estudo Women’s Health and Aging Study (WHAS) II, m dos estudos epidemiológicos mais influentes sobre o envelhecimento feminino.
O Women’s Health and Aging Study (WHAS) II desenhado para complementar o WHAS I, focando especificamente na transição entre o envelhecimento saudável e o início do declínio físico. Seu “irmão mais velho, o WHAS I, que mergulhou no universo daquelas mulheres que já enfrentavam dificuldades no dia a dia.
Diferente da maioria dos estudos da época (meados dos anos 90), o WHAS I não queria apenas saber quem estava doente, mas como as doenças se transformavam em dependência física. O público estudado foi de mulheres idosas (65 anos ou mais) residentes na comunidade em Baltimore; cujo critério de seleção era apenas as mulheres que faziam parte do terço mais incapacitado da população (com dificuldades em pelo menos duas das principais áreas de funcionamento, como mobilidade ou cuidados pessoais). A amostra foi de cerca de 1.002 mulheres.
O estudo foi um divisor de águas porque provou que a incapacidade não é uma “sentença única”, mas um processo dinâmico. Mostrou que a maioria das idosas com incapacidade não sofria de apenas uma doença, mas de uma combinação (ex: artrite + insuficiência cardíaca), e que essa combinação é mais perigosa do que a soma das partes.
- Dra. Linda Fried e sua equipe começaram, neste ponto, a consolidar a ideia de que a fragilidade é uma síndrome médica distinta, e não apenas o “envelhecimento normal”. O estudo revelou que muitas mulheres esperavam perder muita função antes de buscar ajuda, perdendo a janela de reabilitação.
O WHAS II, por sua vez, estudou mulheres de 70 a 79 anos, o 1/3 mais saudável, entendendo o início do declínio e a prevenção, ou seja, com uma perspectiva mais preventiva e de identificação de riscos. Os objetivos principais do WHAS II foram:
- – Identificar Precursores: Determinar os primeiros sinais de declínio funcional antes que a incapacidade se torne evidente.
- – Estudar a Fragilidade: Analisar a fisiopatologia da síndrome de fragilidade (frailty).
- – Avaliar Comorbidades: Entender como doenças crônicas (como artrite e doenças cardiovasculares) interagem para causar perda de independência.
- – Marcadores Biológicos: Investigar o papel de inflamações e hormônios no processo de envelhecimento.
O estudo gerou centenas de publicações científicas que culminaram em achados importantíssimos para a Geriatria moderna:
Fenótipo de Fragilidade: Ajudou a validar os critérios de Fried para fragilidade (perda de peso não intencional, exaustão, fraqueza, lentidão e baixa atividade física).
Inflamação Crônica: Demonstrou que níveis elevados de marcadores inflamatórios, como a Interleucina-6 (IL-6), são preditores de declínio físico futuro.
Velocidade da Marcha: Consolidou a velocidade da caminhada como um “sinal vital” para prever longevidade e risco de hospitalização.
Como pode ser visto, a ciência dividiu o envelhecimento feminino em dois grandes grupos para estudá-los (WHAS I e II), mas na nossa roda de conversa, para quem puder e quiser ir, nós unimos essas fases para entender como prevenir o declínio e celebrar a nossa autonomia.
Roda de Conversa: Quando, Onde e Com Quem??
Local: Centro de Movimento Paula Bastos (Recife-PE)
Data: 19/03 Horário: 16:30h
Inscrições: +55 81 99162-2999 (Secretaria do Centro de Movimento)
Mediando a conversa:
Ana Katharina Leite – Terapeuta Ocupacional. Líder em Envelhecimento Saudável pela OMS (2020). Especialização em Neuropsicologia, Tecnologia Assistiva e Mestrado em Ergonomia com Ênfase em Ambiente Construído para Pessoas Idosas. Mediadora de Grupos de Estimulação Cognitiva e Envelhecimento Saudável; Grupo de Estimulação Cognitiva para Pessoas com Demência.
Carolina Cabral (Convidada) – Graduanda em Psicologia pela Universidade Católica de Pernambuco. É formada em Comunicação Social e possui experiência na Gestão Pública. Atualmente dedica-se aos estudos sobre saúde mental, relações sociais e o cuidado.
Paula Bastos –
Formada FEFISA ( faculdade de educação de física de Santo André) São Paulo 1998. Cursando pós graduação em Gerontologia pela IDE. Formada pela Physio Pilates 2001Coordenadora da Academia Perfformance ( Recife) 2003 à 2012. Especialização em Gyrotonic 2007. Formação em Corealign 2022.

