O envelhecimento é considerado mais cruel para as mulheres devido a uma sobrecarga de exigências sociais, desigualdades históricas e o peso do cuidado que recai majoritariamente sobre elas.
De acordo com discussão realizada no Podcast da SBGG Nacional, sobre Feminização da Velhice no Brasil, os principais motivos para essa percepção são:
- – Sobrecarga de Cuidado e Trabalho Não Remunerado: Historicamente, as mulheres são as responsáveis pelos compromissos e obrigações de cuidado com crianças, doentes e outras pessoas idosas. Esse trabalho não remunerado, somado às desigualdades no mercado de trabalho e menores rendas, impacta diretamente a qualidade de vida na velhice.
- – Pressão Estética e Social: Existe uma cobrança social intensa para que a mulher idosa se mantenha “gentil” e dentro de padrões de beleza “absurdos”, como a exigência de tingir o cabelo e manter o bem-estar visual, algo que é muito menos cobrado dos homens.
- – O Paradoxo da Longevidade: Embora as mulheres vivam mais que os homens, elas costumam viver com mais dificuldades. Elas sofrem mais com doenças crônicas e, muitas vezes, a sobrevivência prolongada ocorre em condições de precariedade, especialmente se não tiveram oportunidades educacionais e habitacionais ao longo da vida.
- – Etarismo e Autopreconceito: O preconceito de idade (etarismo) soma-se à história de desigualdade de gênero. Muitas vezes, as pessoas idosas (homens e mulheres) — e particularmente as mulheres — acabam incorporando esses preconceitos sociais, transformando-os em autopreconceito. Isso as leva a desacreditar na própria capacidade de continuar crescendo, ser feliz ou atrair a atenção e ajuda de terceiros.
Além dos declínios normativos do envelhecimento, as mulheres precisam lidar com perdas adicionais de oportunidades e autonomia impostas por uma estrutura social desigual.
É preciso muita atenção ao autopreconceito com o envelhecimento na mulher!!
O autopreconceito — que ocorre quando a pessoa idosa incorpora e transmite para si mesma os estigmas e preconceitos vigentes na sociedade — impacta profundamente a saúde emocional das mulheres ao limitar sua visão de futuro e bem-estar.
De acordo com as fontes, os principais efeitos emocionais e práticos são:
- – Naturalização do sofrimento: O autopreconceito faz com que a idosa passe a acreditar que “estar mal” é uma consequência natural e inevitável da idade avançada. Isso leva à aceitação passiva de condições de vida precárias, ignorando que a velhice pode ser vivenciada com qualidade quando há cuidados e propósitos.
- – Descrença no crescimento pessoal: A mulher passa a desacreditar na própria capacidade de continuar crescendo, de estabelecer novos objetivos de vida ou de simplesmente ser feliz. Essa visão limita a busca por novas experiências e o desenvolvimento pessoal na fase tardia da vida.
- – Sentimento de invisibilidade e desamparo: Ocorre uma perda de confiança na possibilidade de atrair a atenção dos outros ou de obter ajuda, inclusive do sistema público de saúde. Quando a idosa não acredita em si mesma, ela tem muito menos chances de buscar os direitos e o suporte de que necessita.
- – Perda da esperança: O autopreconceito mina a esperança, descrita como um elemento vital para a sobrevivência e para a exigência de respeito por parte da sociedade e do governo.
- – Manifestações sutis: Muitas vezes, esse preconceito interno se manifesta de forma sutil, em falas depreciativas ou tons de brincadeira sobre a própria idade, o que reforça o ciclo de desvalorização.
Para combater esse quadro, as fontes sugerem que não basta “ensinar a envelhecer”, mas sim incentivar que a mulher se acompanhe, se conheça e acredite em suas potencialidades, mantendo a esperança e o protagonismo sobre sua própria vida.
Fonte: SBGG Nacional

