Estresse do Cuidador de Idosos com Alzheimer e a Qualidade do Sono

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Cuidar de um idoso com D.A implica em uma atenção constante, repetitiva e desgastante que invariavelmente leva a uma situação de estresse.

Pesquisa realizada entre cuidadores familiares aqui no Brasil revelou que 62,8% dos entrevistados apresentavam quadro de estresse e 11,6% estavam na fase de ‘quase exaustão’.  

O estresse crônico pode levar, entre outros sintomas, a estados ansiogênicos (de ansiedade), sentimentos de impotência, de insegurança e de abandono que por sua vez, alteram e são alterados pela dinâmica do ciclo sono-vigília. 

A relação entre o estresse e as alterações do sono é uma via de mão dupla; níveis de estresse constantes deflagram alterações hormonais que interferem negativamente na arquitetura do sono. As alterações do sono por sua vez, elevam o nível de estresse do cuidador no cotidiano formando um ciclo vicioso e perigoso, que deve ser rompido.

Terapeutas ocupacionais que acompanham idosos com demências e/ou outras disfunções neurológicas têm investido cada vez mais na atenção ao cuidador e nesta seara, o cuidado com a qualidade do sono de ambos (cuidador e idoso) é fundamental.

Mas, como já foi dito aqui, falar de qualidade do sono é falar da qualidade do tempo acordado. Sendo assim, buscar estratégias de gerenciamento da rotina se faz necessário. Uma rotina estruturada de forma a permitir ao cuidador momentos de descanso, mas também de experenciar ‘seu próprio modo de vida’ pode ser vital para a qualidade do seu sono. E, ao manter um padrão de sono satisfatório o cuidador pode apresentar melhores condições de exercer o cuidado, trazendo benefícios também ao idoso assistido.

Na Terapia Ocupacional temos um constructo que define muito bem essa questão: é o ‘Equilíbrio Ocupacional’. É um constructo multifacetado, relacionado à possibilidade de se ter vivências significativas de forma equilibrada ao longo do dia. Nessa perspectiva, de forma resumida, viver com equilíbrio ocupacional é ter a possibilidade de preencher o tempo acordado com momentos que geram senso de participação, de controle e bem estar, considerando as características do contexto de vida  de cada um.

O Equilíbrio Ocupacional nesta perspectiva é atingido quando o indivíduo faz escolhas a partir de sua percepção sobre o que realmente lhe importa, mesmo em condições desfavoráveis como a sobrecarga do cuidado de um idoso com Doença de Alzheimer.

Um pouco mais sobre Equilíbrio Ocupacional e assuntos correlacionados será exposto no post de amanhã.

Autora: Ana Luiza Rodrigues da Costa Terapeuta ocupacional formada pela UFPE em 1985. Mestre em Serviço Social pela UFPE (2004), sócia e diretora clínica da REATO – Reabilitcao em Terapia Ocupacional. atendimento@toreato.com.br

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