Deficiência auditiva na infância: aprenda o que é, como se avalia e trata

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Pesquisas têm mostrado que os fetos podem responder aos estímulos sonoros externos a partir das dezesseis semanas e que a audição é o sentido mais ativo na 24ª semana de gestação. Portanto, um bebê que nasce com 42 semanas de gestação tem, por volta, de 26 semanas de experiência auditiva.  Além disso, a maior parte do tecido nervoso cerebral é construída a partir dos estímulos auditivos!

Mas, por inúmeros motivos, o sistema auditivo pode não funcionar de forma parcial ou totalmente, quando isso acontece a pessoa é diagnosticada com deficiência auditiva. Apesar de existirem cerca de 28 milhões (14,8%) de brasileiros com algum problema de audição (OMS, 2011), as condutas para a reabilitação de tal sentido ainda são pouco conhecidas. Desta forma, vamos pontuar alguns aspectos que podem ajudar na trajetória após o diagnóstico de deficiência auditiva:

  • Perda auditiva: as perdas auditivas são classificadas pelo tipo e pelo grau. Quanto ao tipo, pode ser: condutiva (afeta as orelhas externa e média), sensorial (afeta a orelha interna e o nervo auditivo) ou mista (alterações condutiva e sensorial). A definição de grau da perda auditiva está relacionada ao quanto se ouve:

– Audição normal: limiares entre 0 e 25 dB Nível de Audição;

– Perda Auditiva de grau leve: limiares entre 26 e 40 dB Nível de Audição;

– Perda Auditiva de grau moderado: limiares entre 41 e 55 dB Nível de Audição;

– Perda Auditiva de grau moderadamente severo: limiares entre 56 e 70 dB  Nível de Audição;

– Perda Auditiva de grau severo: limiares entre 71 e 90 dB Nível de Audição;

– Perda Auditiva de grau profundo: limiares acima de 91 dB Nível de Audição;

  • Deficiência auditiva: “É a perda bilateral, parcial ou total, de 41 decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz (Decreto nº 5.296/04, art. 5º, §1º, I, “b”, c/c Decreto nº 5.298/99, art. 4º, II)”.
  • Causas da deficiência auditiva: Existem diversos fatores que causam a deficiência auditiva, desde fatores congênitos (malformação do sistema auditivo, síndromes, alteração genética) ou adquiridos, tais como: infecções virais ou bacterianas, uso de medicamentos ototóxicos, rolhas de cera, otites, exposição a ruídos intensos, traumas cranianos, idade. Dependendo da causa, a perda auditiva pode ser reversível ou permanente.

No caso de bebês e crianças, os cuidados devem ser ainda mais imediatos, visto que a deficiência auditiva pode afetar aspectos linguísticos, comportamentais, sociais e de aprendizagem:

  • Teste da orelhinha: Ao nascerem, os bebês devem ser submetidos ao “teste da orelhinha” ou Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), que detecta de forma objetiva e indolor se há alterações de audição. Se o bebê apresenta algum fator de risco para perda auditiva ou se os resultados da TANU não são satisfatórios, a audição do bebê deve ser novamente avaliada.
  • Avaliação audiológica infantil: A audição está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento da linguagem oral, portanto, mesmo quando o teste da orelhinha é positivo, é recomendável que a criança seja avaliada antes de iniciar o processo de alfabetização formal.
  • Sinais de alteração auditiva em bebês e crianças: Há comportamentos que podem estar relacionados à deficiência auditiva na infância: não assustar/acordar quando acontecem ruídos altos; dificuldade de imitar sons, localizar a fonte (origem) de um estímulo sonoro; parecer alienado ou desatento, principalmente em situações de grupo; solicitar muito a repetição da fala do interlocutor ou perguntar muito “o que?”, “hein?”, “anh?”; apresentar atraso no desenvolvimento de linguagem oral ou alteração/distorção na produção dos sons de fala (fones);
  • Tratamento e conduta: se houver qualquer suspeita ou sinal de deficiência auditiva, um médico otorrinolaringologista deve ser consultado. A confirmação e a intervenção precoces são imprescindíveis para o prognóstico de sucesso.  São partes fundamentais da intervenção: a seleção dos dispositivos que possibilitarão o acesso aos sons da fala (aparelhos auditivos ou implantes cocleares), o uso constante e diário de tais dispositivos e a terapia fonoaudiológica de reabilitação auditiva, na qual o fonoaudiólogo trabalhará para o aprimoramento das habilidades auditivas e linguísticas do cliente.

E, para finalizar, um lembrete: “a união faz a força”, então para um processo terapêutico de sucesso, o paciente, a família e os profissionais (médicos, fonoaudiólogo, professores) que o assistem devem estar em constante comunicação, para que, juntos, possam avaliar e delinear constantemente as metas terapêuticas de cada caso específico!

Lílian Kuhn Pereira
Fonoaudióloga – CRFa 2/14684
Especialização em Audiologia
Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada
Tel: (11)98207-7182/email: fono.liliankp@gmail.com
Instagram: @fonoliliankp; Facebook.com: /liliankuhnpereira

 imagem: @fonoliliankp

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