Queda em idosos merece atenção redobrada

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Estar com a saúde em dia tem se tornado fator cada vez mais primordial na mente dos seres humanos. Bem por isso, a cada ano que se inicia é quase que uma obrigatoriedade criarmos regrinhas que serão elo na busca por uma vida saudável. Mais que isso, elas possibilitarão manter-se atento também a evitar situações de risco. E essa ideia, sem dúvida, tem mais ênfase ainda quando o assunto remete aos cuidados na terceira idade.

Os idosos ou pertencentes à terceira idade, como queira definir, detém por característica própria certa fraqueza, com limitações em suas habilidades motoras como  de equilíbrio, força e flexibilidade. É por isso que qualquer cuidado é pouco para combater seu inimigo número um: a queda.  A queda é responsável, na grande maioria, pelo desenvolvimento de problemas crônicos relacionados à mobilidade. E pode ser ocasionada por fatores intrínsecos, os decorrentes da idade citados acima, e por extrínsecos mais voltados à queda por causa do uso de calçado inadequado, tapetes em casa que não possuem aderência ao solo e tombo em escadas, entre outros.

Para se ter uma noção da proporção que o problema pode dar, a Organização Mundial de Saúde faz questão de enfatizar em suas divulgações à mídia que 600 mil fraturas de fêmur em idosos acontecem por ano no Brasil, sendo que 90% delas são decorrentes de quedas. A OMS ainda aponta que 30% dos idosos com mais de 60 anos caem todo ano. O Sistema Único de Saúde é outro que alerta sobre o perigo das quedas. Segundo dados do SUS, os gastos com esse tipo de tratamento estão em alta. Em 2006, já se registrava R$ 49.884.326 de despesas com internações de idosos com fratura de fêmur.

A fratura também e apenas mais uma consequência negativa. Junta-se a ela outros problemas que podem decorrer da queda como traumatismo craniano, cortes, ansiedade, depressão e o medo. Sim, o medo de cair pode figurar como tema diário do idoso, já que a tendência de quem sofre o trauma é, de forma grandiosa, desenvolver a perda de confiança na capacidade de realizar tarefas.

Portanto, é cabível saber como tomar cuidados para evitar o problema. No entanto, como fazer para tentar excluí-lo e criar precauções para que ele não apareça? O ponto-chave é policiar-se com modificações em nosso próprio lar. É isso mesmo, existem algumas medidas que podem ser efetuadas em casa que se tornam verdadeiros escudos no combate diário do idoso à queda. Cada cômodo requer particularizações simples, porém, se levadas ao pé da letra, surtem efeitos positivos.

Em toda casa, deve-se sempre mantê-la bem iluminada, colocar protetores nas quinas dos móveis, fixar antiderrapantes nos tapetes; evitar prateleiras muito altas e muito baixas (isso impossibilidade o tal esforço máximo), e também ficar atento (a) aos animais doméstico, pois eles podem nos desequilibrar.

Mas, como expliquei, existem especificações para cada cômodo. Sala, cozinha, quarto e banheiro possuem maneiras significativas de alterações que só serviram de positivismo no combate ao possível risco de queda. Perceba:

Na sala:

– Utilize cores claras nas paredes para aumentar a iluminação.

– Retire móveis que são obstáculos à passagem.

– Os móveis devem ser prendidos na parede. Assim, podem ser usados como apoio no caso de um escorregão.

Na cozinha:

– Evite subir em banquinhos e escadas.

– Coloque os objetos mais usados em locais de pouca altura.

No quarto:

– O ideal é deixar uma luminária na cabeceira da cama, caso queira levantar a noite.

– Mantenha uma cadeira ou poltrona no quarto. Isso é fundamental para ser usado quando você for sentar para colocar meias, sapatos e calças.

No banheiro:

– Utilizar pisos antiderrapantes, e deixá-los sempre secos.

– Usar barras de apoio fixas ao lado do vaso sanitário e do box.

Tomadas essas medidas, a probabilidade de evitar a queda ganha enorme grandeza. Entretanto, o ideal é que paralelamente a isso a prática de exercícios físicos seja mais um fator inibidor do malefício. Por que isso? A explicação é simples, pois quando envelhecemos, perdemos algumas habilidades físicas. Bem por isso que se não houver um treinamento que retarde essa perda o risco da queda aumenta significativamente. A atividade física tem por caráter próprio a qualificação de prevenção e tratamento em saúde que apresenta impacto na melhora da mobilidade física e estabilidade postural (aí a relação com a diminuição de quedas).

Já no caso dos idosos, até pelo fato das limitações por causa da idade, o que é mais indicado é a prática dos exercícios de propriocepção. O que é isso? Nada mais, nada menos, que atividades que exercitam a força, equilíbrio e coordenação. Eles são fundamentais para normalizar as articulações. O ideal é desempenhá-los todos os dias. Se não, pelo menos, três vezes por semana. Sempre com acompanhamento de especialista.

Com o caminhar lado a lado das benfeitorias o fortalecimento do elo positivo à terceira idade é questão de tempo. E além da queda parar de assombrá-los, a tendência é obter outras melhorias por meio das atividades como a prevenção de hipertensão arterial e da própria osteoporose. De maneira resumida, ter atenção e se cuidar nunca foram e não serão demais, principalmente quando a saúde está em jogo.

Tâmara Rufini

Fisioterapeuta e professora de educação física da LIFE PQV, empresa especializada em prestação de serviços ligados à qualidade de vida para o mercado corporativo e Poder Público que incluem ações como Ginástica Laboral, academias corporativas e avaliações ergonômicas, entre outras.

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