É diferente a informação enviada para o cérebro ao escrever sobre uma tela, uma prática que tem sido cada vez mais comum no cotidiano das escolas. A explicação “técnica” da diferença é a seguinte: escrever na superfície de baixo atrito da tela do tablet produz uma sensação de deslizar sobre uma superfície escorregadia e, assim, induz uma modificação no feedback proprioceptivo necessário para controlar o movimento.

Um recorte publicado na Human Movement Science relata que recentemente, alguns estudos investigaram se a modificação na informação proprioceptiva induzida pela tela suave do tablet afeta os movimentos da escrita. Esta questão foi explorada em crianças e adultos (confira no artigo quais estudos). Em um deles, compararam o movimento em alunos da segunda e a nona séries que tiveram que escrever com uma caneta de ponta plástica na tela do tablet ou com uma caneta esferográfica na
papel. Os resultados revelaram que, quando os participantes precisavam escrever na tela do tablet, os escritores mais jovens tendiam a fazer pausas mais longas, revelando uma perturbação no cálculo da trajetória do segmento, enquanto os escritores mais antigos aumentaram a pressão e a velocidade da caneta, refletindo um distúrbio na regulação motora.

Autores ampliaram esse resultado revelando que, mesmo em escritores experientes, a execução grafomotora é modificada (notavelmente com velocidade mais alta) quando os participantes são solicitados a escrever uma frase ou copiar um padrão de loop ou formas geométricas em um tablet. No que diz respeito a escrita de frases, houve um aumento significativo na velocidade, duração da escrita, tempo no ar e número elevações e inversões na velocidade da caneta. No entanto, o grau de adaptação da caligrafia dependia das demandas da tarefa.

Em um segundo estudo, confirmaram que a diferença na execução do movimento entre escrever em um tablet e escrever em papel é parcialmente dependente da tarefa, tanto em adultos como em crianças.

FONTEHandwriting on a tablet screen: Role of visual and proprioceptive feedback in the control of movement by children and adults. Human Movement Science. Volume 65, June 2019, Pages 30-41
Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Mais e quase tudo sobre minha história: Ana Leite, formada em Terapia Ocupacional na Universidade Federal de Pernambuco (Brasil). Minha experiência clínica como terapeuta é com a pessoa adulta e idosa com disfunção cognitiva que apresenta dificuldades na realização de suas atividades cotidianas. O processo de tratamento dos meus pacientes sempre envolveu intervenções que visavam a maior participação possível em atividades cotidianas significativas. As ferramentas utilizadas nesse processo incluíam orientações sobre adaptação do ambiente e da tarefa a ser realizada, organização de rotina e estimulação/reabilitação cognitiva. Tenho especialização em Tecnologia Assistiva, onde me instrumentalizei sobre o uso equipamentos e dispositivos que podem aumentar/permitir a funcionalidade. Fiz mestrado em Design, na linha de pesquisa de Ergonomia. Participei do desenvolvimento e validação de uma metodologia de avaliação do ambiente construído (MEAC). Na minha pesquisa estudei as variáveis arquitetônicas do ambiente moradia das pessoas idosas que residiam em ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idosos). Nesse processo pude acrescentar ao conhecimentos da Terapia Ocupacional esse olhar mais aprofundado sobre o ambiente de moradia. Assim, compreendendo melhor qual o impacto que o ambiente físico/construído possui no funcionamento diário das pessoas idosas. Sou criadora da primeira marca digital, em língua portuguesa, dedicada a produção/divulgação de conteúdo especializado no contexto de reabilitação, reab.me. Produzo conteúdos textuais e audiovisuais através da curadoria de revistas científicas e outras referências técnicas; edito conteúdos de colaboradores, profissionais de reabilitação, de diversas áreas, que escrevem para o reab. Além de assuntos técnicos, escrevo sobre questões relacionadas à saúde mental dos terapeutas, tendo em vista a crescente necessidade de falar de autocuidado e bem estar para os profissionais de saúde. Tema que tem surgido de forma crescente e preocupante nos bastidores de prática clínica e até em pesquisas. O reab.me edita, produz e distribui em loja digital própria (que vocês encontram aqui no site!), produtos para serem usados por profissionais, cuidadores formais e familiares no processo do cuidar. Os produtos desenvolvidos contam com outros profissionais que opinando, através dos seus conhecimentos específicos, e testando contribuem na co-criação desses produtos. Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

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