E quando a criança não consegue brincar?

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criança sentada no chão olhando para baixo enquanto brinca com trem de madeira

Digamos que você tenha a missão de entrar em uma loja de brinquedos e comprar uma boneca para uma menina. Você vai naquele “mar de opções”, escolhe uma. Verifica na caixa se já vem com pilhas e também olha a faixa etária, claro. O que a embalagem não diz é que para brincar com aquela boneca é necessário que a criança tenha mãos capazes de segurar a boneca, colocar e retirar os acessórios.

E justamente aquela menina para quem você foi comprar a boneca tem uma deficiência. Uma deficiência que interfere na capacidade dela de movimentar os braços, bem como suas mãos. Ela não consegue segurar nada, a escova de dentes, a colher ou o controle remoto do carrinho de brinquedo. Nós frequentemente não pensamos nas “características funcionais” da criança, nem tão pouco na acessibilidade do brinquedo.

A verdade é que na vida dessa criança, bem como de todas as outras que não estão dentro do “típico”, ninguém sabe como facilmente adaptar um brinquedo ou brincadeira para que ela possa participar de uma forma ativa (entenda o ativa aqui como interagindo com o brinquedo que ela quer e da forma que ela quer). Sabe aquele controle remoto do carrinho? Ele tem joystick e pode ser adaptado, engrossado, modificado de forma que a criança possa, mesmo com suas limitações, brincar com ele.

Brincar significa muito. Brincar é o que permite desenvolver habilidades através dos movimentos, do pensar, do socializar. Explorar o ambiente (pessoas e lugares), aprender conceitos básicos e complexos, como causa e efeito, imaginar… abstrair. Criar soluções diante dos desafios que aparecem na brincadeira.

A acessibilidade no brincar significa adaptar o brinquedo, a brincadeira às características da criança. E aqui é importante dizer que não estamos falando apenas das características físicas/motoras; estamos falando dos raciocínios que envolvem o brinquedo; as cores, as etapas. Tudo pode ser modificado, desde que se entenda sobre o que a criança que vai brincar, sobre brinquedos e brincadeira e sobre acessibilidade.

(Você já ouviu falar em acompanhante terapêutico? Leia mais sobre esse profissional que favorece o cotidiano dos pacientes )

Se você é pai, mão, tio, amigo ou pediatra de uma família com uma criança com deficiência, lembre-se dessa palavra que pode ser mágica: “acessibilidade“. Não procure acessibilidade apenas no meio físico (nas rampas, nas barras de apoio..), aprenda a se questionar sobre qualquer desafio cotidiano que essa criança tenha, e o brincar é um deles.

Brincar com acessibilidade é a oportunidade de ser uma criança no seu sentido mais amplo, independente do ambiente que esteja, com quem esteja e com o brinquedo que esteja.

Quando o assunto é desenvolvimento infantil: menos brinquedo é mais!

 

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

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