Como falar com a pessoa com Alzheimer? Dicas para a Copa do Mundo

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Brasileiros têm uma cultura muito arraigada com o futebol. Gostam de viver os dias dos jogos de forma especial: buscam as notícias, mudam suas rotinas  e conversam *muito* sobre isso. A conversa rola no trabalho, no banco do táxi e também nas rodas familiares, onde pode ter uma pessoa com demência que está ali ao lado e pode participar da conversa dentro de suas limitações.

Entender que existem capacidades e possibilidades para a pessoa com Alzheimer não é apenas um ato de gentileza, benevolência, é sobretudo um ato de amor, empatia e cidadania, por que não? Permitir que a pessoa possa viver o social, é também sobre isso o cuidar.

No entanto, sabemos que pode ser difícil estabelecer uma comunicação eficaz, se fazer entender e também estimular as respostas faladas, em especial em fases moderadas e avançadas da doença.

Sobre as conversas a respeito da Copa de Mundo, aqui vão algumas dicas (que valem para a conversa sobre qualquer tema):

  • Fale com tranquilidade, buscando estabelecer o contato visual, e diga 1 ou 2 frases curtas e diretas.

Certo – Neymar é o jogador nessa Copa. Olhe aqui a foto dele! Errado: Neymar torceu o tornozelo, não vai jogar hoje. (Enquanto segura a revista ou lê a notícia no celular).

  • Diga seu nome ou o nome da pessoa que você está falando.

Certo – Esse aqui (mostrando a foto) é Richarlison, é jogador do Brasil. Errado: Sabe quem é ele? O nome parece Ricardo….

  • Se estiver falando com o idoso, fale apenas com ele até terminar e receber a resposta ou dar a informação completa. Não pare a conversa para falar com outra pessoa e volte para ele querendo a resposta ou a continuidade do que você estava falando antes.
  • Evite discutir, caso a pessoa não acredite ou discorda do que vc está falando. Ex: Certo –  Se ele negar que Neymar é o jogador do Brasil, você não vai tentar convencer a pessoa disso.
  • Ajude a pessoa a encontrar as palavras. Se a pessoa começar a frase e parar por não lembrar a palavra, tente completar ou se ele falar sobre, mas não achar o nome, por exemplo: Ele chutou “aquilo” para fazer gol. Diga: Sim, ele chutou a bola!

Lembre-se também:

  • A comunicação também acontece sem palavras. Perceba as expressões faciais e para onde a pessoa está olhando ou tentando fazer.
  • Dê tempo para a pessoa responder. Conte alguns segundos antes de falar.
  • Não repreenda a pessoa ou use palavras, expressões negativas, como “você não sabe fazer isso, me dê!”.
  • Cuidado com os barulhos e distrações na hora da conversa.
  • Sempre demonstre afeta, sorria, segure na mão.

Se tiver alguma dúvida, comente aqui!

 

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Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

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