Móbiles de berço: como usá-los para beneficiar o desenvolvimento dos bebês

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Móbiles de berço são itens frequentes e, por que não dizer, sempre presentes nos quartos dos bebês. Cores, texturas, diferentes materiais e temas fazem desse “acessório” um item não só de decoração, mas funcional para o bebê. À princípio, você deve logo ter pensado nas informações visuais que existem com as cores e movimentos do móbile, mas outros estímulos podem existir e muito mais que a visão é estimulada. Destacamos aqui algumas questões sobre os benefícios dos móbiles e até como otimizar seu uso ao longo do desenvolvimento da criança e também quando dentro de uma fase de desenvolvimento há a adaptação do bebê àquele estímulo.

Vamos começar falando da estimulação visual, um dos principais objetivos desse acessório. Sabe-se que a visão de um bebê vai terminando de se desenvolver e as variáveis de nitidez, contraste e percepção de cores vão se aprimorando. Quando pensamos em um recém-nascido você deve dá preferência a contornos pronunciados, com forte contraste claro-escuro. Ou seja, capriche no preto e branco!! Para quem já tem ou teve seu móbile pode ter se deparado com detalhes assim e agora sabe o motivo. À medida que os meses vão passando há um sensível progresso na percepção das cores, contraste e nitidez. As imagens já não são tão desfocadas. Sendo assim, o percepção visual já é maior e o interesse por cores vivas e contrastantes também. Ou seja, nos meses subsequentes os detalhes daquele móbile lindo, colorido e… cheio de estímulo começam a ser percebidos. Sendo assim, nada de tirá-lo do berço tão rápido!

Que as habilidades visuais são estimuladas, todos imaginam, mas nem todos lembram da estimulação motora (física) que um móbile pode fornecer. Essa estimulação também é proporcional ao desenvolvimento do bebê, primeiro os estímulos são seguidos pelos olhos e com o passar do tempo já estimulam movimentos que traduzem bem o interesse da criança. Mais na frente vem a busca pelo objeto de desejo. Um móbile com movimento (pode ser um movimento simples dado pelo toque do bebê) alinhado na linha média é um estímulo a elevar os braços, buscar a coordenação e o movimento. Estude a posição do móbile do bebê no berço e a altura que ele fica. Estimular a ação que é o toque e a reação que é o movimento do móbile é bem interessante para os pequenos, bem como promover a busca pela linha média (se você se perguntar por que basta lembrar que a minha média está na nossa vida em alguns detalhes, como o prato de comida e a posição que o relógio de pulso fica quando buscamos conferir as horas).

Muitos pais optam por móbiles que incluem estimulação auditiva e sim, as músicas e sons podem ser muito relaxantes para os bebês. Alguns móbiles tem mais de uma opção de som, ótimo! Você só precisa saber escolher o som certo para o seu objetivo. Uma música animada e alta não se enquadram se o objetivo é relaxar, concordam?  Nessas horas, nada como uma canção de ninar! Nas entrelinhas de escutar a música do móbile está também a percepção do som e até a busca da fonte sonora, outros estímulos ricos para o bebê.

Dessa forma, percebemos que o móbile é um excelente estímulo para o desenvolvimento neuropsicomotor dos pequenos, onde a interação com os sons, cores, formas e texturas (essas últimas quando eles interagem por meio do toque) proporcionam a construção de percepções auditivas, visuais e táteis.

No entanto, ficou claro que os bebês crescem e suas habilidades vão ficando mais refinadas, ou seja, está aí a hora que temos que parar para pensar… “Será que aquele móbile que está pendurado ao longo dos meses no berço do bebê, ainda traz tantos benefícios para o desenvolvimento, ainda o está estimulando?

O ambiente e as interações da criança com o que está ao seu redor constroem diversas possibilidades de aprendizagem.  Estudos comprovam que a criança que está envolvida em momentos de estímulos, terão um desenvolvimento cognitivo e social muito mais eficaz do que crianças que não vivenciam momentos de interação e aprendizagem. Pensando no móbile como um dos inúmeros recursos para o desenvolvimento da criança, que tal pensar em trocar os móbiles de forma, lugar e conteúdo?

Sugestões…

– Mude o móbile de posição

– Mude os estímulos do móbile: varie entre os estímulos auditivos, visuais e táteis

– Crie móbiles com os objetos que a criança mais gosta (e que são adequadas a sua fase de desenvolvimento)

– Estimule a interação com o brinquedo

– Use móbiles em outros ambientes, que não sejam só o berço. Essa estratégia te dará outras oportunidades de interação da criança com o móbile, pois o bebê pode estar em outra posição e o móbile também!

– Participe também desse momento de interação da criança

Separamos algumas imagens de móbiles, olha só:

Móbile de Munari. Esse móbile é confeccionado pelos próprios pais e faz parte de uma sequência de móbiles que o Método Montessoriano propõe. Este móbile ilustra bem os primeiros estímulos que o recém-nascido percebe. imagem: lejardindekiran.com

Mobiles de cores e formas. O móbile do exemplo abaixo é comercializado no Amazon.com (referência: Manhattan Toy Wimmer da Ferguson Infant Stim) e traz informações visuais de cores e contrastes, além de ser um móbile que se movimenta (não sozinho, tá?). fonte da imagem: divulgação

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Móbiles com cores, texturas e sons. Esse exemplo de móbile temático ilustra bem os móbiles comerciais que encontramos hoje, cheios de cores e estímulos que podem (e devem!) ser alternados pelos pais à medida que os meses forem passando.  Também um móbile vendido na Amazon, mas que já se encontra facilmente no Brasil (marca: Fisher Price). fonte da imagem: divulgação

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Autoria:

Ana Leite

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Michelle Costa Soares
Psicopedagoga Clínica e Institucional
Professora da disciplina Educação Especial – UNEB/PARFOR
michelleterapiadecrianca@gmail.com
Ilhéus- Ba
Instagram: @michelleterapiadecriança
 
 
Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Mais e quase tudo sobre minha história: Ana Leite, formada em Terapia Ocupacional na Universidade Federal de Pernambuco (Brasil). Minha experiência clínica como terapeuta é com a pessoa adulta e idosa com disfunção cognitiva que apresenta dificuldades na realização de suas atividades cotidianas. O processo de tratamento dos meus pacientes sempre envolveu intervenções que visavam a maior participação possível em atividades cotidianas significativas. As ferramentas utilizadas nesse processo incluíam orientações sobre adaptação do ambiente e da tarefa a ser realizada, organização de rotina e estimulação/reabilitação cognitiva. Tenho especialização em Tecnologia Assistiva, onde me instrumentalizei sobre o uso equipamentos e dispositivos que podem aumentar/permitir a funcionalidade. Fiz mestrado em Design, na linha de pesquisa de Ergonomia. Participei do desenvolvimento e validação de uma metodologia de avaliação do ambiente construído (MEAC). Na minha pesquisa estudei as variáveis arquitetônicas do ambiente moradia das pessoas idosas que residiam em ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idosos). Nesse processo pude acrescentar ao conhecimentos da Terapia Ocupacional esse olhar mais aprofundado sobre o ambiente de moradia. Assim, compreendendo melhor qual o impacto que o ambiente físico/construído possui no funcionamento diário das pessoas idosas. Sou criadora da primeira marca digital, em língua portuguesa, dedicada a produção/divulgação de conteúdo especializado no contexto de reabilitação, reab.me. Produzo conteúdos textuais e audiovisuais através da curadoria de revistas científicas e outras referências técnicas; edito conteúdos de colaboradores, profissionais de reabilitação, de diversas áreas, que escrevem para o reab. Além de assuntos técnicos, escrevo sobre questões relacionadas à saúde mental dos terapeutas, tendo em vista a crescente necessidade de falar de autocuidado e bem estar para os profissionais de saúde. Tema que tem surgido de forma crescente e preocupante nos bastidores de prática clínica e até em pesquisas. O reab.me edita, produz e distribui em loja digital própria (que vocês encontram aqui no site!), produtos para serem usados por profissionais, cuidadores formais e familiares no processo do cuidar. Os produtos desenvolvidos contam com outros profissionais que opinando, através dos seus conhecimentos específicos, e testando contribuem na co-criação desses produtos. Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

2 COMENTÁRIOS

  1. Há alguma relação do uso móbiles com a concentração dos bebês? Mas precisamente na situação emocional de agitação ou tranquilidade dos pequenos.

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