Como introduzir um cuidador formal?

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Um grande desafio para pessoas com demência e suas famílias é a introdução de um cuidador formal, ou seja, de um profissional especializado em fornecer cuidados.

Essa tarefa torna-se ainda mais difícil quando o cliente não admite suas deficiências no cotidiano ou resiste a tornar concreta a necessidade de supervisão ou contato.

Algumas dicas que podem ser usadas pelos profissionais para ajudar na aproximação e no estabelecimento de vínculo entre o cliente e o cuidador:

1. Realize atividades e exercícios que estimulem a participação do cuidador e a interação entre ele e o cliente;

2. Oriente o cuidador a “aprender” com o cliente. Dependendo a fase da doença, o cliente pode ensinar o cuidador onde ficam no bairro lojas, padarias, igreja e outros pontos relevantes no cotidiano no cliente. É importante estimular o cuidador a perguntar ao cliente, mesmo que ele já saiba a resposta. Isso ajudará o cliente a perceber nas sensações de controle e eficiência;

3. Envolver o cuidador em outras atividades na casa. Isso é importante para evitar que o cuidador torne-se a sombra do cliente quando não é necessário, o que pode levar o cliente a irritação e agressividade (o que não contribui para a formação do vínculo). Além do mais, quando o cuidador está entrando na casa é importante conhecer a rotina da casa e as tarefas que estão indiretamente ligadas aos cuidados com o cliente (alimentação, etc);

4. O cuidador deve estar a par dos interesses do cliente para poder usá-los para a formação do vínculo e estimulação. Conversas com familiares, terapeutas e até pesquisas na internet podem ser estratégias valiosas nesse processo;

5. Ter um tempo na terapia reservado ao cuidador. Esse tempo pode ser importante para tirar dúvidas, esclarecer pontos relacionados a doença ou discutir comportamentos e estratégias. A dinâmica familiar também é um ponto que pode ser discutido nesse momento, uma vez que as famílias podem ter atitudes carinhosas, mas prejudiciais a independência e autonomia do cliente.

O processo de inserir o cuidador e fazê-lo ser aceito pode não ser fácil, sendo assim quanto mais conversas e orientações melhor.

Se vocês têm algo a acrescentar, sintam-se à vontade!

Ana K.

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

2 COMENTÁRIOS

  1. Oi Ana(s)
    Outro ponto importante a ser considerado nesta relação se refere à definição de papéis. Algumas vezes percebemos um claro “boicote” por parte de alguns familiares, como se o cuidador fosse ocupar um lugar que não lhe pertence. Trabalho em uma ILPI onde cada idosa tem sua cuidadora e também atendo a domicílio, onde essa postura, por parte da família se torna ainda mais evidente. Além de orientar muito bem o cuidador, a família também deve ser uma preocupação constante em nossa intervenção.
    Outra estratégia que utilizo, e que tem dado bons resultados em ambos os casos, é trabalhar a autoestima desses profissionais. Desta forma eles se sentem mais seguros para desempenhar seu papel de forma mais eficiente. Na ILPI realizo um trabalho em grupo de cuidadoras com encontros semanais onde estas e outras questões vem a tona naturalmente. No domiciliar, é mais difícil operacionalizar essa prática. Porém com sutileza, habilidade conseguimos bons resultados.

  2. Cuidador um mal necessário.Raramente na própria família se tem um cuidador informal com o dom de cuidar, o que acaba refletindo nos profissionais que colocamos dentro de casa. A família em regra é impaciente, não aceita. Por outro lado, como todos são humanos, seres inacabados e distantes de serem a imagem de perfeição do Criador,é muito difícicl peneirar um bom cuidador. A profissão hoje está vulgarizada, noto que qualquer pessoa, desde zelador de prédio a enfermeiros com graduação estão se apresentando para ocupar esta função, tão próxima da família e das suas íntimidades, que lhes eria necessário ter um mínimo de percepção humana, sensibilidade, mas infelizmente é só mais uma função que qualquer despreperado se candidata.Ressalto, no entanto, que raros são aqueles que tem o DOM e exercem sua função com maestreza ímpar., o resto sem formação encontrou um meio de ganhar de dinheiro, dizem que os velhinhos ou doentes estão muito agitados e precisam de remédios para contê-los, relatam situações que exige da família muita calma, discernimento e tempo, coisa que infelizmente não temos.Meu consolo é que um dia estes cuidadores podem ter de necessitar um dia serem cuidados e aí como será? Eles pensam nisso? Não acham que são eternos, porque aqueles que um dia pensarem nisso, passarão a cuidar de maneira diferente, com o verdadeiro altruísmo ou até mesmo profissionalismo que a funçaõ exige,mas é tudo da boca pra fora. Eles não sentem Amor, só fazem o discurso que escolheram a profissão por amor.Enfim,…o encargo é sempre da família, se o cuidador não for bom, a culpa é da família, que está ausente~. Infelizmente nem toda família consegue estar próximo, mas o que fazer, tirar os velhinhos de sua casa e trazer para a nossa ?Colocar cÂmeras e ficar de olho nos cuidadores ? Tristeza, nossos pais não nos abandonaram quando éramos crianças, porque deveríamos abndoná-los agora ?

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