Adaptação ambiental: piso da residência de idosos

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O ambiente em que nossos clientes vivem é determinante no sucesso ou fracasso da realização de tarefas. Um ambiente bem planejado e adaptado de acordo com as necessidades sensório-motoras e cognitivas dos usuários é uma necessidade e, infelizmente, uma raridade.

Tendo em vista este problema, e meu atual envolvimento com o tema, resolvi que a partir de hoje, vamos dar algumas dicas sobre planejamento e adaptação do espaço. Vamos focar o espaço de moradia e o indivíduo envelhecido, mas vocês perceberão que muito do que vai se falar se adequa a outros espaços, e em alguns casos, até a outros clientes.

Escolhi começar por revestimentos, sendo mais específica: pisos! Pois é, basta abrir qualquer livro que trate do assunto que lá estará: “o piso deve ser antiderrapante”. Certo, certo, mas isso quer dizer o que exatamente? Sendo bem simples, piso antiderrapante é um piso rugoso, não é polido. No entanto, sendo mais científica este piso é caracterizado por ter um coeficiente de atrito maior. Um bom coeficiente de atrito para áreas molhadas, como banheiros, área de serviço, varanda e cozinha é um piso cujo coeficiente seja igual ou maior que 0,4.

Uma outra característica que ajuda no conforto, independência e, principalmente, que não vai de encontro com as capacidades visuais do idoso, é o fato do piso não ser reflexivo, ou seja, quem está montando uma casa para toda a vida não pode apostar no porcelanato polido. É lindo, mas neste caso não é funcional! Além do mais, o coeficiente de atrito dele não está dentro da faixa recomendada.

Falando em tipos de piso, vamos destacar alguns:

Cerâmica: É um piso muito popular. Dentre as suas vantagens temos: é um piso durável, fácil de limpar e que exige pouca manutenção. Como nem tudo são flores, a acústica desse piso é ruim por não filtrar ruídos, é frio e não absorve impacto do corpo em caso de queda.

Vinílicos (paviflex):  São pisos usados para revestir ambientes internos, com tráfego médio e intenso, como escolas, hospitais e  também residências.  O paviflez tem manutenção mais complicada, arranha e suja mais fácil, além de ser menos durável, se comparada à cerâmica.

Carpetes: É um tipo de piso que retém calor, tem excelentes qualidades acústica e absorve mais impacto que os revestimentos citados acima. Dependendo o clima da sua cidade, pode ser uma boa ao má escolha, e isto também será determinado pelo perfil do cliente, afinal clientes com incotinência podem sujar o piso.

Além do tipo de piso, outras características também devem ser consideradas, como:

– A cor: cores claras refletem a luz e melhoram a visualização. Isto não quer dizer que todo piso tem que ser branco, mas o fato de ser claro ajuda nos déficits de acuidade visual e de figura-fundo, alterações presentes no envelhecimento.

– Pisos lisos e íntegros:  deve-se evitar desenhos, estampas e mosaicos. Pisos lisos também não devem ser misturados (preto e branco), isso pode confundir e levar à quedas. Muito cuidado também com pisos danificados, não é incomum encontrarmos residências que algumas pedras de cerâmica quebraram e não foram substituídas.

Captura de tela 2009-12-15 às 15.06.46

– Combinações de piso são interessantes. Além de ser esteticamente legal, pode ajudar na orientação de idosos com disfunção cognitiva.

No entanto, sabemos que nem sempre certas modificações são viáveis financeiramente ou são do desejo dos outros residentes da casa. Sendo assim, para garantir a segurança no que diz respeito ao piso, podemos usar de algumas soluções disponíveis no mercado, como:

– Antideslizante: que  é produto que torno o piso com coeficiente de atrito maior, sem alterar suas características de estética. Como exemplo, temos o AD + AD , que é um produto indicado para cerâmicas, porcelanatos e granitos. A aplicação é fácil, rápida e o efeito tem duração de anos.

Captura de tela 2009-12-02 às 16.54.09

– Fitas ou outro destaque para bordas, como as de escadas. As fitas antiderrapantes, que comumente se aplica em escadas, é também uma solução que alguns terapeutas ocupacionais usam em áreas molhadas. No entanto, como esse material não foi pensado para este fim, a duração do material cai bastante, além do risco de descolar nas bordas e mofar, devido à umidade do ambiente.

Outras questões que os profissionais, especialmente terapeutas ocupacionais e arquitetos, devem ficar atentos nesse processo de planejamento e adaptação do piso, são:

– o uso de trilhos no chão (alguns trilhos inferiores são verdadeiras lombadas!), pois os idosos tendem a elevar menos o pé durante a deambulação;

– soleiras de cores muito contrastantes, pois devido a alteração de figura-fundo eles percebem aquele contraste como um degrau;

– cuidado com tapetes, tanto os capachos que ficam na entrada da casa (que devem ser embutidos), como os tapetes  que ficam nas áreas de circulação (os muito altos devem ser retirados e os mais baixos podem ser fixados com fita dupla face, mas isso exige manutenção constante).

Querem acrescentar ou perguntar algo? Comentem ou enviem para contato@reab.me

Abraço,

Ana Katharina Leite.

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

9 COMENTÁRIOS

  1. Olá, Ana!

    Muito bom o post, o blog está cada vez melhor! 😀

    Adorei você ter falado do antideslizante. Muitos terapeutas ocupacionais se esquecem que nem todo mundo pode trocar o revestimento de casa, e nesse caso temos que dar outra solução.

    Parabéns! 😀

  2. Olá, Ana.

    Estou procurando uma solução para substituir o carpete e, ao me deparar com teu ensaio, tenho uma pergunta: Os revetimentos de EVA (tipo aqueles blocos utilizados para tapetinhos de cercado de bebês) têm sido utilizados tanto para prevenir escorregões quanto para amortecer eventuais quedas ?

    Agradeceria que me respondesse, mesmo que negativamente.

    Abraços.

  3. Olá,minha casa tem piso em cerâmica e minha mãe idosa vem morar comigo.O que faço para prevenir escorregões?Que material posso usar para cobrir o piso a um preço razoável?

    Obrigada.

    • Oi Margareth, evite cabos, tapetes e obstáculos. E nas áreas molhadas realmente tapetes ou produtos antiderrapantes podem ajudar a prevenir acidentes. Uma boa dica também é chamar um terapeuta ocupacional que trabalhe com idosos; este profissional pode avaliar o ambiente e sugerir modificações; podem existir outras questões que comprometam a segurança e que você não esteja percebendo =)

    • Veja um arquiteto para que possa analisar e lhe orientar quanto ao ambiente e como fazer com peças adequadas. É ele que vai analisar seu ambiente como um todo, avaliando como a família necessita.
      Arq. Marilice Costi – Porto Alegre/RS

  4. Boa noite.Estou com um Problema,o carpete do quarto da minha mãe que já e idosa e está com doença de Parkinson está muito velho então preciso modificar o piso sem precisar remove-lo pois está causando alergia a minha mãe.Qual o melhor piso e se posso coloca-lo pó cima do tapete sem precisar retira-lo.Obrigada.

    • Oi Verônica, você pode tentar usar tatames de EVA, mas talvez não seja o piso mais adequado por sua instabilidade, é necessário que se faça uma avaliação da qualidade de marcha do idoso, evitando possíveis riscos de quedas.

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