Em uma experiência recente de uma roda de conversa, muitas mulheres idosas e na meia idade, se sentiram representadas por este lindo poema de Adélia Prado. Fica aqui o registro para, quem sabe, alguma mulher, seja da idade que for, usar com suas amigas, parceiras de reflexão, ou uma terapeuta (terapeuta ocupacional ou não…) usar com suas clientes em uma ocasião onde seja pertinente.
Envelhecer com viço e ternura…
(Adélia Prado, em seu livro “Erótica da Alma”)
“Todos vamos envelhecer-Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos.
A boa notícia é que a alma, pode permanecer com humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente.
Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar.
Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Que usa a espontaneidade para ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos.
Erótica é a alma, que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor, apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios.
Erótica é a alma, que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma, que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores.”(…)

