Problema de Alzheimer ou Doença de Alzheimer: qual a forma correta?

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A forma que a gente se comunica com as pessoas reflete um pouco o que a gente pensa e sente sobre os assuntos. E, isso não é diferente quando estamos falando de uma condição de saúde (que é um nome melhor que doença, quando pensamos nas dificuldades de funcionamento seja do corpo ou da mente).

Hoje em uma conversa percebi uma cuidadora falando do “problema de Alzheimer” que alguém tinha e aquilo chamou atenção. Junto com a expressão “problema de Alzheimer” veio um olhar de pesar, uma entonação da voz que parecia piedade. Claramente a cuidadora estava com pena porque uma pessoa que ela conhecia tinha o “problema de Alzheimer”.

Então vamos refletir o que “certo” se é a expressão “problema de Alzheimer” ou “doença de Alzheimer”. Falar sobre o Alzheimer como uma doença é trazer um termo técnico, ou seja, é comum e mais aceito. E fala sobre uma condição de saúde que tem seus sinais, seus sintomas e todo um tratamento que pode e deve ser feito independente da idade. Agora vamos avaliar o termo “problema de Alzheimer”. Problemas todos temos, eu, você… todos temos problemas e das mais diversas intensidades (problemas grande, pequenos, fáceis ou difíceis de resolver). Mas quando substituímos o termo “doença” por problema esquecemos que as doenças são situações que podem ser delicadas demais. Geralmente, as doenças que ainda não tem cura, como o Alzheimer já são difíceis demais de conviver. E, diante da delicadeza do assunto a gente pode magoar alguém a depender a forma que a gente se refere. E o termo “problema” pode deixar o que já é difícil ainda mais pesado e doloroso. E, de certa forma, transmitimos isso para quem está escutando.

Se o argumento acima não te convenceu, eu tenho outro, quando falamos “problema” parece que estamos lidando com algo que basta uma ferramenta para ir ali apertar o parafuso e resolver. É um problema, é algo complicado, mas que temos que buscar uma solução. Afinal é isso que fazemos com algo problemático. Como uma doença que ainda não tem cura, ou seja, não tem uma solução, mas sim caminhos para viver bem. E somos todos parte desse cuidado para viver melhor com o Alzheimer.

Além do mais, acho que todos queremos sempre melhorar, ser a melhor versão de nós. Então, aprender a falar os termos mais corretos e empáticos não só é importante para quem convive com a doença e seus desafios, mas também para a gente que está melhorando uma coisa tão simples, mas super importante: nossa forma de falar! 💜

#reabme #reabidoso #demência #cuidadordeidosos

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

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