Terapia Ocupacional, Tecnologia e Mídias Sociais como Ocupação #Parte2

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Criamos uma série de posts que visam discutir e levar à reflexão um assunto MUITO importante para a prática da Terapia Ocupacional: a consideração das mídias sociais como ocupação. Essa discussão visa considerar que pensemos em quanto as mídias fazem parte do cotidiano e qual o papel do T.O frente a essa nova ocupação. Essas informações e reflexões sempre dentro de um contexto maior que é o das tecnologias na Terapia Ocupacional.

No primeiro post introduzimos o assunto e nesta parte os benefícios, danos e o equilíbrio no uso das mídias é discutido:

Benefícios e danos potenciais relacionados ao uso de mídias sociais

Existem muitos benefícios do uso da mídia social para indivíduos ao longo da vida. Para os jovens, os benefícios incluem uma variedade de fatores críticos para o desenvolvimento saudável, como desenvolvimento e exploração de identidade, desenvolvimento aspiracional, engajamento de pares, desenvolvimento e manutenção de amizades, aumento do capital social e acesso ao apoio social. Um estudo com mais de 3.000 adolescentes mostrou uma relação positiva entre o uso de sites de redes sociais e a qualidade das amizades.

Os benefícios do uso da mídia social para adultos incluem o potencial de diminuição da solidão e aumento da participação social, especialmente quando as viagens podem ser difíceis. Pesquisas adicionais sugerem que o aumento do uso de mídias sociais para adultos está associado a uma melhor satisfação com a vida e bem-estar psicológico. Finalmente, um estudo recente em idosos descobriu que a participação social online pode limitar os efeitos da dor na depressão.

Sem minimizar o poderoso impacto positivo que a tecnologia, e especificamente as mídias sociais, tiveram em nossa sociedade, é imperativo reconhecer simultaneamente os possíveis resultados negativos do uso das mídias sociais. O uso limitado, o uso excessivo ou inadequado das mídias sociais pode resultar na interrupção de papéis, hábitos, rotinas e equilíbrio na vida de uma pessoa.

(Leia mais: Terapia Ocupacional: o sono e a relação com o desempenho das ocupações)

A literatura apresenta um número crescente de consequências negativas documentadas relacionadas ao uso das mídias sociais. As evidências sugerem vínculos entre o uso da mídia social e depressão, ansiedade e isolamento social. Um estudo recente da JAMA Pediatrics envolvendo uma amostra de 3.826 adolescentes descobriu que o uso de mídias sociais e televisão pode melhorar os sintomas de depressão em adolescentes. Além disso, uma revisão da literatura de LeBourgeois e colegas (2017) encontrou “uma associação adversa entre o consumo de mídia baseada na tela e a saúde do sono”. Evidências adicionais apóiam uma associação entre o uso de sites de redes sociais e a insatisfação com a imagem corporal. A Pew Research, examinando as experiências de mídia social dos adolescentes, descobriu que 45% dos adolescentes se sentem sobrecarregados com o drama nas mídias sociais, 43% sentem pressão para publicar apenas conteúdo que os faz parecer bons para os outros e 26% dizem que usar as mídias sociais os faz sentir pior sobre suas próprias vidas. No geral, existem evidências consideráveis ​​sugerindo que o uso da mídia social pode resultar em danos potenciais à saúde física e mental dos usuários.

Equilibrando os benefícios e as conseqüências

Há uma variedade de efeitos positivos e negativos do uso da mídia social. Enquanto algumas pessoas se beneficiam com o seu uso, outras experimentam efeitos negativos. O Pew Research Center (2018c) observou que, enquanto 71% dos adolescentes afirmaram que o uso da mídia social os faz se sentir mais incluídos, 25% disseram que os faz se sentir mais excluídos. Enquanto 69% afirmaram que o uso das mídias sociais os fez se sentirem mais confiantes 26% afirmaram que os fizeram se sentir mais inseguros.

É interessante que os autores sugeriram recentemente que pode ser a maneira como uma pessoa se envolve com as mídias sociais que afeta suas experiências (Verduyn et al., 2017). Esses autores revisaram recentemente a pesquisa atual que examinava a relação entre o uso e o bem-estar das mídias sociais e encontraram uma relação negativa entre o uso passivo das mídias sociais e o bem-estar subjetivo e uma relação positiva entre o uso ativo das mídias sociais e o bem-estar. Eles sugerem que o uso passivo de sites de redes sociais resulta em comparações sociais e inveja, enquanto o uso ativo cria capital social e estimula sentimentos de conexão social.

Portanto, é imperativo que os terapeutas ocupacionais não façam suposições sobre grupos de pessoas e uso de mídias sociais, mas examinem o uso individual de mídias sociais e o impacto que o envolvimento nessa ocupação tem sobre sua participação em outras atividades, papéis e rotinas diárias e sua saúde física e mental.

Para continuarmos essa conversa tão importante, não perca o próximo post dessa série! Acesse também a categoria “Tecnologia” e “Terapia Ocupacional” aqui do site para saber mais sobre esses temas! =)

Fica a sugestão do vídeo “Terapia Ocupacional e o impacto no medo no cotidiano” com Ana Luiza Costa. O vídeo é uma gravação de uma live imperdível que aconteceu no instagram do @reabme!

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