Pessoas com demência podem recordar os sentimentos, mas não o que aconteceu?

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Muitos familiares se perguntam porque pessoas com demência não se lembram dos fatos, mas continuam se lembrando dos sentimentos relacionados a essas situações.

Existe uma resposta dada pela neurociência que diz respeito a localização e processamento das memórias, mas de forma simples o que precisamos entender é essas informações estão em áreas diferentes do cérebro; ou seja, uma área pode estar lesionada e outra não.

Mas seriam só os sentimentos relacionados ao rancor que são guardados? A resposta é não. Bons sentimentos podem ser guardados, e isso tem um lado muito bom! Afinal, é importante para todos nós sermos nutridos por bons sentimentos, e na demência isso pode ser o gerador de comportamentos amorosos.

Claro que os sentimentos e as memórias podem ficar intactas por muito tempo, ou seja, a pessoa com demência pode lembrar e consequentemente sentir aquela emoção mesmo depois de muito tempo.

No livro Alzheimer: o dia de 36 horas (super recomendamos!) são descritos pequenos trechos de situações comuns, como o pai não lembrar o que a filha fez, mas lembrar que está chateado com ela; bem como, uma idosa cadeirante insistir que estava dançando no centro dia, mas na realidade estava querendo falar dos bons momentos que esteve lá, mas não resgatou a memória do que aconteceu (que não foi a dança) e a deixou feliz.

Acredito que a maior lição que podemos ter é que essas emoções têm significados, mesmo que os fatos sobre os significados possam não estar sendo lembrados.

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