Pesquisa mostra aceitação de tecnologias por idosos

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Ficou curioso sobre essa pesquisa? Ela foi desenvolvida pela terapeuta ocupacional Taiuani Marquine Raymundo no mestrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.  O objetivo foi “analisar a aceitação de tecnologias por idosos e as variáveis que influenciam o uso, a aceitação e inserção destas no cotidiano”. Uau!! Muito bom e esclarecedor para profissionais que fazem uso da tecnologia e para famílias, cuidadores que também apostam nesse recurso. Ah, sem falar é claro da importância para os desenvolvedores.

Mas afinal, os idosos aceitam ou não as tecnologias? Bem, de acordo com a pesquisa de Taiuani, 96,97% dos avaliados no estudo relataram aceitar. Além deste, outros números mostrados na pesquisa são importantes, por exemplo:  54% afirmaram que os aparelhos são complicados e difíceis de serem utilizados, 69% concordaram que as tecnologias não foram desenvolvidas com foco na população idosa, 64% relataram que o idioma dos aparelhos e dos manuais dificulta o uso. Esses números nos mostram o quanto as tecnologias ainda precisam ser pensadas para uma população que não é insignificante atualmente, os idosos, que já representam uma parcela substancial da sociedade.

Para quem quiser ler o resumo da pesquisa, segue o texto abaixo. Se você está dentre os grandes interessados no tema, este link pode te levar ao PDF do trabalho. Caso não consiga acessar, é só colocar as palavras ” Taiuani Marquine Raymundo USP” e achar o trabalho.

Resumo:

Introdução: De acordo com o Censo de 2010 o Brasil possui uma população com cerca de 14 milhões de idosos, ou seja, 7,4% da população total. O aumento da expectativa de vida da população e o consequente aumento do número de idosos trazem à tona desafios a serem enfrentados no âmbito econômico, político, demográfico e social. Em contrapartida ao envelhecimento populacional tem-se o avanço tecnológico, o qual colocou a população idosa em situação de desvantagem, pois, suas experiências ao longo da vida foram moldadas por suas experiências anteriores em ambientes tecnológicos que diferem dos ambientes de hoje. Para compreender como a população idosa lida com os desafios da tecnologia e quais são as variáveis que influenciam no uso e na aceitação das mesmas é essencial que se leve em conta as características do idoso assim como das tecnologias. Objetivo: Analisar a aceitação de tecnologias por idosos e as variáveis que influenciam o uso, a aceitação e inserção destas no cotidiano. Materiais e métodos: Trata-se de um estudo de caráter transversal, qualitativo-quantitativo e analítico. A amostra foi composta por 100 idosos com média de idade de 69,38 anos. A escolha de entrevistados foi aleatória. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HCFMRP-USP. Os procedimentos de coleta de dados incluíram: 1) Questionário socioeconômico, 2) Escala de avaliação das Atividades Instrumentais da Vida Diária de Lawton e Brody, 3) Escala para avaliação das aceitação de tecnologias e 4) Questionário sobre os possíveis fatores que interferem no uso de aparelhos eletrônicos. Na análise de dados foi utilizado o método de estatística descritiva e para o cálculo estatístico utilizou-se o teste do χ2, o teste exato do χ2 e o coeficiente de correlação não linear de Spearman. Resultados e discussão: Dos participantes, 78% eram do gênero feminino, casados (44%), com Ensino Médio completo (59%), economicamente não ativos (aposentados ou do lar, 89%) e moradores da cidade de Ribeirão Preto (75%). Quanto à capacidade funcional, 56% dos idosos foram considerados independentes para a realização das atividades instrumentais de vida diária e 44% apresentaram dependência parcial. Quanto à aceitação de tecnologias, 96,97% relataram aceitar. Do total de idosos, 54% relataram que os aparelhos eletrônicos são complicados e difíceis de serem utilizados, 69% concordaram que as tecnologias não foram desenvolvidas com foco na população idosa, 64% relataram que o idioma dos aparelhos e dos manuais dificulta o uso. Porém, 89% reconheceram a importância das tecnologias, 91% reconheceram a utilidade e 87% relataram motivação para aprender a utilizar tecnologias. Conclusão: Fatores como medo, receio, motivação, gênero, características dos aparelhos e o reconhecimento dos benefícios, da utilidade e da importância das tecnologias apresentaram influenciam no uso e na aceitação de tecnologias, porém, variáveis como idade, renda, e nível de instrução educacional não apresentaram correlações significativas com a aceitação de tecnologias, não exercendo assim, influência sobre ela.

É um enorme prazer compartilhar trabalhos assim aqui no Reab.me! Nossa, muito bom! Parabéns a Taiuani.

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

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