O uso de celular e tablet na infância: o que dizem os últimos estudos?

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A polêmica do uso de telas na infância habita a preocupação de muitos profissionais de saúde, dentre eles terapeutas que veem chegar ao consultório muitas crianças com hábitos cotidianos e prolongados de tela e repercussões no desenvolvimento. Esse é o “novo normal” da infância quando o assunto é a tecnologia: “a paisagem da infância foi digitalizada, afetando a maneira como as crianças brincam, aprendem e formam relacionamentos“. Ou seja, a tela está no cotidiano.

Segundo um estudo lançado em Nov/2019 pelo JAMA Pediatrics, o uso começa na infância e aumenta com a idade, e foi recentemente estimado em mais de 2 horas por dia em crianças menores de 9 anos, além do uso durante o cuidado infantil e a escola. Esse cenário do uso da tela para diversas ocupações mostra um cotidiano que deve ser compreendido por terapeuta, inclusive para orientação e conscientização dos pais que as telas não estão apenas no entretenimento, estamos usando além.

Aqui no reab já trouxemos algumas informações, como no post “Crianças e telas, vamos escutar e falar sobre isso?” e até algumas reflexões diante a crise imposta pela Pandemia do COVID-19 (leia o post: “O coronavírus encerrou a polêmica sobre o uso de telas no cotidiano?”).

O estudo que falamos acima um pouco na compreensão do impacto de um maior uso da tela para crianças em idade pré-escolar (idade de 3 a 5 anos). O uso desses aparelhos foi associado a um menor parâmetro de mielinização de áreas ligadas à linguagem, como velocidade de processamento da linguagem, vocabulário expressivo e alfabetização. Sendo assim, os resultados mostram que o uso da tela na idade pré-escolar tem impacto na linguagem e na alfabetização.

A American Academy of Pediatrics (AAP) já recomendava limites na mídia baseada em tela, citando riscos de desenvolvimento e saúde com o uso excessivo e inoportuno. Esses riscos já incluíam:

  • atraso de linguagem
  • sono ruim
  • comprometimento da função executiva e cognição geral
  • diminuição do envolvimento entre pais e filhos, incluindo leitura em conjunto.

Inclusive, a Organização Mundial da Saúde lançou recomendações ainda mais restritivas para crianças menores de 5 anos, desencorajando o tempo de tela e defendendo um maior estudo de suas implicações para a saúde e o desenvolvimento. Clique aqui e veja o WHO Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age.

(Você conhece o livro “Vivendo esse Mundo Digital: Impactos na Saúde, na Educação e nos Comportamentos Sociais” ?). 

Diante desse cenário nos cabe saber cada vez mais das repercussões do uso de tela na infância e ir ajudando os pais a atingir um equilíbrio ocupacional das atividades que tornem esse desenvolvimento das crianças o mais saudável possível. Afinal, a tela precisa ser nossa aliada e não um dificultado, concordam?

 

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

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