Demência: pontos-chave da prevenção, intervenção e cuidado

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Esse post é um recorte em português de um artigo publicado na The Lancet (2017). O objetivo de deixa-lo aqui é ajudar o terapeuta ocupacional a se capacitar e a educar as populações que precisam de informações sobre demência.

A demência é o maior desafio global para a saúde e assistência social no século XXI. Ocorre principalmente em pessoas com mais de 65 anos, de modo que os aumentos em números e custos são impulsionados, em todo o mundo, pelo aumento da longevidade resultante da redução bem-vinda de pessoas que morrem prematuramente. A Comissão Lancet sobre Prevenção, Intervenção e Cuidados da Demência reuniu-se para consolidar os grandes avanços que foram feitos e o conhecimento emergente sobre o que devemos fazer para prevenir e gerenciar a demência.

Globalmente, cerca de 47 milhões de pessoas viviam com demência em 2015, e esse número deve triplicar até 2050. A demência afeta os indivíduos com a doença, que gradualmente perdem suas habilidades, bem como seus familiares e outros apoiadores, que têm que lidar ao ver um membro da família ou amigo adoecer e declinar, ao mesmo tempo em que responde às suas necessidades, como aumento da dependência e mudanças de comportamento. Além disso, afeta a sociedade em geral porque as pessoas com demência também precisam de cuidados de saúde e sociais. O custo global da demência em 2015 foi estimado em US$ 818 bilhões, e esse número continuará a aumentar à medida que o número de pessoas com demência aumentar. Quase 85% dos custos estão relacionados aos cuidados familiares e sociais, e não médicos. Pode ser que novos cuidados médicos no futuro, incluindo medidas de saúde pública, possam substituir e possivelmente reduzir parte desse custo.

Pontos-chave

1-  O número de pessoas com demência está aumentando globalmente
Embora a incidência em alguns países tenha diminuído.

2 –  Seja ambicioso em relação à prevenção

Recomendamos o tratamento ativo da hipertensão em pessoas de meia-idade (45-65 anos) e idosos (acima de 65 anos) sem demência para reduzir a incidência de demência. Intervenções para outros fatores de risco, incluindo mais educação infantil, exercícios, manutenção do envolvimento social, redução do tabagismo e tratamento da perda auditiva, depressão, diabetes e obesidade, podem ter o potencial de retardar ou prevenir um terço dos casos de demência.

3 –  Tratar sintomas cognitivos

Para maximizar a cognição, as pessoas com doença de Alzheimer ou demência com corpos de Lewy devem receber inibidores da colinesterase em todos os estágios, ou memantina para demência grave. Os inibidores da colinesterase não são eficazes no comprometimento cognitivo leve.

4 – Individualizar os cuidados com a demência

Os bons cuidados de demência abrangem cuidados médicos, sociais e de apoio; deve ser adaptado às necessidades, preferências e prioridades individuais e culturais únicas e deve incorporar apoio aos cuidadores familiares.

5- Cuidados com os cuidadores familiares

Os cuidadores familiares estão em alto risco de depressão. Intervenções eficazes tratam os sintomas e devem ser disponibilizadas.

6- Planeje o futuro

Pessoas com demência e suas famílias valorizam discussões sobre o futuro e decisões sobre possíveis advogados para tomar decisões. Os médicos devem considerar a capacidade de tomar diferentes tipos de decisões no diagnóstico.

7- Proteja as pessoas com demência

As pessoas com demência e a sociedade precisam de proteção contra possíveis riscos da doença, incluindo autonegligência, vulnerabilidade (inclusive à exploração), administrar dinheiro, dirigir ou usar armas. A avaliação e gestão do risco em todas as fases da doença é essencial, mas deve ser equilibrada com o direito da pessoa à autonomia.

8 –  Gerenciar sintomas neuropsiquiátricos

O manejo dos sintomas neuropsiquiátricos da demência, incluindo agitação, humor deprimido ou psicose, geralmente é psicológico, social e ambiental, com o manejo farmacológico reservado para indivíduos com sintomas mais graves.

9-  Considere o fim da vida

Um terço dos idosos morre com demência, por isso é essencial que os profissionais que trabalham nos cuidados de fim de vida considerem se um paciente tem demência, porque eles podem ser incapazes de tomar decisões sobre seus cuidados e tratamento ou expressar suas necessidades e desejos.

10 – Tecnologia

As intervenções tecnológicas têm o potencial de melhorar a prestação de cuidados, mas não devem substituir o contato social.

 

 

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Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

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