Como saber se a minha criança ouve bem?

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Na semana passada, mostramos um panorama geral da deficiência auditiva, pontuando os principais tópicos desse assunto (não leu? clica aqui). Mas como saber se o seu filho/aluno ouve bem?

A avaliação da audição de crianças em idade escolar – “Triagem Auditiva em Escolares” – ainda não é obrigatória, mas a solicitação já está em processo.  E, enquanto não acontece, os professores e familiares são os maiores e melhores aliados para a detecção precoce de alterações auditivas. Se a sua criança é uma muito quieta e isolada dos outros,  fala muito baixo ou muito alto, ou você recebe queixas recorrentes de que ele(a):

  – “Escuta só o que quer”;

–  “Fala, mas troca algumas letrinhas”;

–  “Vive no mundo da lua”,

– “Só obedece quando eu grito!”

Então, essa criança pode ter alterações auditivas que estão se refletindo em problemas comportamentais e dificuldades de linguagem e de aprendizagem!

Nos casos de perdas auditivas de graus severo ou profundo, há notórias alterações nos comportamentos auditivos e de linguagem, o que faz com que os profissionais e familiares averigúem a questão auditiva. Entretanto, grande parte das crianças com alteração de audição pode ter perdas leves ou moderadas, portanto a criança ouve e responde (algumas vezes), então a investigação auditiva não é prioritariamente realizada, o que causa prejuízos graves, além de adiar a intervenção correta no caso!

Para a investigação da audição de crianças –  Avaliação Audiológica Infantil –, realizam-se diversos procedimentos (todos indolores!), que se dividem basicamente em dois tipos:

  • Procedimentos subjetivos: neste tipo, os testes dependem da resposta do paciente e, portanto, fatores como: estado geral de saúde,  idade, fome e sono influenciam  no resultado obtido. A colaboração da criança e dos responsáveis é imprescindível e, portanto, para a finalização de um  teste subjetivo, pode ser que o retorno (duas ou três sessões) para finalização ou confirmação das respostas obtidas no teste seja necessário. Os procedimentos subjetivos para avaliação da audição em crianças são: Avaliação Clínica do Comportamento Auditivo,  Audiometria com Reforço Visual (VRA) ou Audiometria Lúdica  e Testes por Via Aérea e por Via Óssea e Testes de Percepção de Fala).
  •  Procedimentos objetivos: Imitanciometria,  Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Encefálico (PEATE, em inglês BERA), Emissões Otoacústicas (EOA) são os procedimentos objetivos de avaliação da audição. Neles, a criança deve permanecer quieta e imóvel, portanto mantê-la adormecida durante a realização é uma boa conduta (em alguns casos, há necessidade de sedação). 

Independentemente do tipo de procedimento, os resultados não são dados de forma objetiva e dependem do julgamento do fonoaudiólogo, sempre atento e capaz de distinguir respostas reais de “coincidências” e/ou distrações. As técnicas de avaliação audiológica variam em função da idade, do nível de desenvolvimento da criança, da etiologia do problema auditivo, das condições otológicas e dos antecedentes da criança e a escolha por uma ou mais é também de responsabilidade do fonoaudiólogo.

Assim como fazemos, por ex, com a visão e a dentição, é necessário acompanhar o desenvolvimento auditivo das crianças.  Com o reinicio das aulas, é importante garantir que as condições auditivas das crianças estejam adequadas!

Lílian Kuhn Pereira
Fonoaudióloga – CRFa 2/14684
Especialização em Audiologia
Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada
Tel: (11)98207-7182/email: fono.liliankp@gmail.com
Instagram: @fonoliliankp; Facebook.com: /liliankuhnpereira
 
imagem: alysinwonderland  

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