Como a cognição é afetada pelo envelhecimento?

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Quais habilidades mentais são afetadas pelo envelhecimento e quais permanecem intactas? Será que existe uma “idade-chave” para as perdas começarem e sinalizarem “o começo do fim?”

Essa última frase acima pode ser uma forma ageista de olhar o envelhecimento, ou seja, uma forma preconceituosa de atribuir apenas ao número de anos vividos o acúmulos de danos moleculares e celulares que acontece ao longo da vida. Essa é a primeira coisa que precisamos pensar e ter cuidado. Afinal, os danos biológicos acontecem sim, as transformações psicossociais fazem parte do envelhecer, mas são muitos os fatores que determinam as variáveis. Em especial, as variáveis biológicas. A genética, o ambiente físico (casa, vizinhança), a condição socioeconômica, os comportamentos de saúde… Assim, desta forma encontramos um idoso de 70 anos funcional e com boa saúde enquanto encontramos outro frágil e que precisa de ajuda; mostrando o quanto o envelhecimento é um processo individual.

O processo natural do envelhecimento, que chamamos de senescência, que diz respeito às mudanças cognitivas, de maneira geral, existe:

  • uma perda em quase todos os domínios cognitivos, mas calma…. leia até o final!
  • A partir de 55/60 anos é possível encontrar queixas, exceto de memória verbal e vocabulário e numérica.
  • A velocidade de processamento é apontada em alguns estudos como uma habilidade que começa a ser alterada a partir dos 55 anos.
  • Com o tempo também declina a evocação espontânea (“lembrar dos 5 itens da lista que você foi comprar no supermercado; ou lembrar de onde veio a informação: “foi no rádio ou no jornal que escutei isso?”).
  • As funções executivas também diminuem de maneira gradual, mas nada que seja tão expressivo para o funcionamento cotidiano.

No entanto, vale lembrar que cada um tem uma trajetória absolutamente única do envelhecimento, inclusive do cognitivo, e todas esses números falados acima são baseados em médias!

O que sempre tem que existir, seja na avaliação médica/terapêutica ou na auto-observação, é comparar o indivíduo a ele mesmo. Afinal, como vale a pena sempre repetir cada processo de envelhecimento é único, embora o processo fisiológico que passamos seja mesmo.

E, neste contexto, sempre deve-se lembrar que essas perdas funcionais não significam que a pessoa idosa sempre terá Alzheimer. Alzheimer não é um “estágio” do envelhecimento cognitivo, mas uma doença que se estabelece de forma mais comum nos idosos.

Vou deixar aqui a dica de um artigo que pode ser útil:

Nurit Papismadov and Valery Krizhanovsky. Natural killers of cognition.NaturE NEurosciENcE | www.nature.com/natureneuroscience

 

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

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