Ageísmo nos Contos de Fadas: o preconceito com os idosos também está nos livros

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Livro aberto com texto e imagem. Fonte: arquivo pessoal

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o Ageísmo como o estereótipo, preconceito e discriminação contra pessoas com base em sua idade. O Ageísmo não se resume a criação de um estereótipo negativo em relação idoso (que, obviamente pode – e leva – à discriminação), mas quem se interessa pelo tema de forma mais profunda pode encontrar o termo se referindo apenas a este juízo de valor negativo.

O Ageísmo é um fenômeno social e está dentro da gente de uma forma tão arraigada que muitas vezes nem percebemos. Está em tudo, na nossa linguagem, nas nossas ações e até nos livros e notícias que lemos. O que pode tornar o ageísmo algo que deve ser combatido é quando ele traz um juízo de valor negativo que pode nos levar a agir de forma discriminatória e contrária ao que deveríamos ser como sociedade, uma rede de apoio, incentivo e valorização uns dos outros.

No post de hoje um livro antigo (1986), “Branca de Neve e outros contos de Grimm“, exemplifica bem um texto que traz ideia ageísta sobre o “ser velho”. Na história “A Raposa e o Cavalo” percebemos já na primeira parte que o “cavalo tinha ficado velho demais para trabalhar“. Aqui gostaria de convidar todos a uma análise: “deixamos de trabalhar porque ficamos velhos demais?”. Bem, em princípio deveríamos deixar de trabalhar porque não desejamos ou não nos sentimos mais funcionais para isso. E, isto poderia acontecer em qualquer idade: aos 45 anos ou aos 85 anos. Esta é a primeira reflexão, que até nos mostra um pouco o quanto podemos e precisamos pensar sobre a idade ser o fator determinante da aposentadoria.

A outra reflexão está na ideia que estamos passando para as crianças (e até adultos, como eu e você) uma imagem que as pessoas quando ficam mais velhas, elas ficam “inúteis”, elas não conseguem mais trabalhar, produzir, participar…. elas se tornam um fardo. E, ao pensar assim, a criança vai ver o envelhecimento dos avós como algo pesaroso, talvez até digno de piedade. E, isso não se enquadra apenas aos avós, mas aos pais dela, às pessoas que ela convive e, em última instância, até ao próprio envelhecimento dela. Este pode ser um dos vários motivos que pode levar as crianças a não querer envelhecer ou ter dificuldades em desenvolver um ageísmo positivo em relação ao envelhecimento.

Imagem retirada do livro que mostra um cavalo com aspecto de muito cansado, descuidado.

A imagem do cavalo também “pode falar” sobre as ideias que podemos ensinar e absorver sobre o envelhecimento. A foto usada para ilustrar a história mostra um cavalo com aspecto cansado, descuidado… e na história se diz que ele está velho.

Despertar para atitudes ageístas ajuda até a ver o ageísmo em nós mesmos. E, ao identificar em nós pensamentos, sentimentos e até atitudes que podem ser discriminatórias  temos a chance de mudar e, até quem sabe, mudar o que está ao nosso redor.

Vamos conversar mais sobre isso aqui…

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Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

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