Um IMC baixo pode ser um fator de risco para Alzheimer

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Os pesquisadores da Universidade de Kansas compararam o fluido espinhal de 112 pessoas cognitivamente saudáveis, 193 pessoas com Transtorno Cognitivo Leve e 100 pessoas com Alzheimer, verificando os níveis de duas proteínas chamadas amilóide e tau. Estas proteínas são já conhecidas porque se acumulam no cérebro de pessoas com doença de Alzheimer, e a pesquisa também sugeriu que  uma diminuição na quantidade de amilóide e um aumento de tau no líquido espinal pode ser um indicador precoce da doença.

A equipe também analisou as varreduras do cérebro e acompanhou a quantidade de amilóide no cérebro de 20 pessoas cognitivamente saudáveis, 56 pessoas com Transtorno Cognitivo Leve e 25 pessoas com Alzheimer. Por fim, eles compararam seus resultados com o índice de massa corpórea (IMC)  dos participantes. Um IMC de 25 ou menos indica peso normal ou baixo, enquanto um IMC de 25 ou mais indica uma pessoa acima do peso ou obesa.

Eles descobriram que aqueles com baixos níveis de amilóide no líquido espinal, aumento da tau em seu fluido espinhal e maiores níveis de amilóide no cérebro eram mais propensos a ter um IMC abaixo de 25. A análise revelou ainda que esta correlação foi mais forte em pessoas com Transtorno Cognitivo Leve. Dentro desse grupo 85% das pessoas cujo peso era normal ou baixo apresentavam sinais de amilóide no cérebro, contra 48% daqueles que estavam acima do peso.

Os resultados foram publicados na revista Neurology.

O estudo reviu pesquisas anteriores que mostram que pessoas mais velhas que são mais magras ou perdem peso rapidamente estão em maior risco de doença de Alzheimer, mas os cientistas afirmam que suas descobertas não devem ser tomadas como evidência de que um menor peso causa a doença. Em vez disso, eles sugerem que o menor IMC nas fases iniciais da doença de Alzheimer pode ser causado por danos na parte do cérebro que regula o metabolismo energético e ingestão de alimentos.

Dr Simon Ridley, chefe de pesquisa da Alzheimer Research UK, disse:
Ainda há muito a saber sobre a interação entre nosso peso e doença de Alzheimer, e esses resultados levantam algumas questões novas. Nós precisamos saber se as pessoas neste estudo passarão a desenvolver a doença de Alzheimer para confirmar se um menor IMC pode ser um dos sinais de alerta precoce para a doença. Será importante para descobrir o que pode causar o IMC mais baixo em pessoas com marcadores precoces da doença de Alzheimer para que possamos entender melhor como prevenir a doença. No entanto, deve notar-se que o IMC é uma medida muito crua.”

Este estudo não mostrou que o IMC inferior pode causar Alzheimer, e as pessoas não devem tomar esses resultados como uma razão para ganhar peso. As evidências mostram que o excesso de peso na meia-idade pode aumentar o risco de demência, e os melhores conselhos para reduzir o risco de demência é comer uma dieta saudável e balanceada, fazer exercícios físicos regulares e manter o colesterol e a pressão arterial sob controle.”

Fonte: alzheimersresearchuk.org

Foto: decar66

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

1 COMENTÁRIO

  1. Descobri seu blog agora e estou adorando a qualidade dos artigos. Eu, como estudante de psicologia, encontro dificuldade de achar bons materiais e é sempre interessante contar com apoio de blogs de divulgação científica. Parabéns por divulgar a área de reabilitação cognitiva.

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