“Só” um relevante e preocupante detalhe! Para refletir…

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Trabalhar com remédio… me torna um Médico?

Gostar de comer… me torna um Chef?

Ser um luthier… me torna um Músico?

Saber uma especialidade artística… me torna uma Terapeuta Ocupacional?

NÃO!!!

Uma “coisa” é Terapeuta Ocupacional, outra é Artista Plástico!

Uma “coisa” é Recurso Terapêutico, outra é livro de colorir para adulto!

Costumo dizer que : “O remédio está para o médico como a atividade (artística, expressiva ou dinâmica) está para T.O.”

Nem toa atividade é para todos, mesmo que a demanda, o diagnóstico (Síndromes, Transtornos) seja similar. Existe a especificidade (técnica, ferramentas, material), a dosagem e o tempo de uso ideal daquela determinada atividade para cada indivíduo. Observar e avaliar variáveis como: contexto familiar, ambiente físico, idade, histórico escolar, temperamento, comprometimentos psíquicos, intelectuais ou físicos, competências, dentre outros, é muito relevante e determinante para o prognóstico positivo. Isso de chama Análise de Atividade, OBJETO de estudo da Terapia Ocupacional (Formação atual concluída em 4 anos. Na minha época, formei-me em 1988 pela Faculdade de Ciências Médicas, eram em 5 anos). Só a partir dela (Análise de Atividade) precreve-se a conduta terapêutica ideal para diagnosticar, reabilitar e tratar o caso.

Ocupar não é tratar!!!

A atividade inadequada ou aleatória pode tanto exacerbar ou velar sintomas expressivos (psíquicos, executivos e comportamentais) interferindo diretamente na condição e evolução do indivíduo.

Gosto muito de ilustrar com o seguinte caso:

“Rapaz de 22 anos com a síndrome de Down foi encaminhado para a T.O pelo seu neurologista. Família avaliou e decidiu, a partir da análise de que o consultório era longe e que o investimento era mais alto, que o rapaz poderia frequentar uma marcenaria de bairro que havia na esquina da sua casa. Ah! E que, inclusive, o marceneiro, S.João, era um senhor muito “bonzinho”e podia fazer o mesmo que o T.O. Afinal, marcenaria era uma atividade e o S.João sabia muito daquele ofício! Conversaram com o S.João que, nem se quisesse, diria NÃO a proposta. Afinal, S.João era conhecido como uma pessoa de coração enorme e muito alegre. Quem não se sensibilizaria com uma família que tem um filho “diferente”! Difícil falar não˜, não é? O rapaz passou a frequentar a marcenaria, 3 vezes por emana, durante 3 horas diárias. Após um mês, durante um dos encontros, S.João é agredido pelo rapaz em estado e fúria (surto psicótico) e leva diversas marteladas pelo corpo, inclusive na cabeça. Foi socorrido por vizinhos que chamaram a polícia e encaminhado ao hospital. S. João sobreviveu, se recuperou sem nenhuma lesão aparente, “somente” de alma e o rapaz hoje é, realmente, visto de forma diferente.”

Negligenciou-se por falta de conhecimento específico do profissional (marceneiro) que acompanhava:

. Histórico clínico e comportamental do rapaz.

.Demanda (sintomas) recente que levaram a família a procurar o neurologista.

– Alteração do humor repentina.

– Fala sozinha e desconecta com discretos episódios de delírios.

-Alteração do sono.

-Comportamento obsessivo e certa agressividade.

-Dentre outros…

O aparecimento de um transtorno psicótico (leve, moderado ou grave), caracterizado por mudança de comportamento habitual, como também, crises convulsivas, são muito comuns na fase adulta de uma pessoa sindrômica por diversos motivos, dentro eles, hormonais ou ambientais.

A ATIVIDADE é um RECURSO muito PODEROSO e como tal, se usado de forma sistêmica, deverá ser respeitada, estudada, analisada e ministrada de forma adequada para que não produza sintomas indesejáveis, desnecessários e/ou irreversíveis.

O ser humano se reconhece a partir do que faz e através do mesmo, se transforma evolui de forma saudável. A atividade é um organizador externo de questões internas!

Fica a dica… De um só relevante e preocupante detalhe!

Grande abraço,

Ana Guimarães

(Terapeuta Ocupacional)

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Este post é uma carta que foi enviada para o Reab por Cínthia Coimbra de Azevedo (Fonoaudióloga) e Ana Guimarães (Terapeuta Ocupacional). Elas estão fazendo um projeto de criar˜es de texto com o intuito de esclarecer alguns pontos relacionados as profissões que elas exercem, bem como a clientela que atendem, pessoas com deficiência. 

Como o texto veio via Correios (e estou com um bebezinho em casa) não pudemos publicar antes, até porque precisei transcrevê-lo (publicamos primeiro no nosso instagram @reabme que tínhamos recebido – já que não tínhamos contato digital das autoras da carta, mas apenas o endereço que veio na carta) mas aqui está!

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Publicação no nosso instagram @reabme

Publicado e sendo lido pelas milhares de pessoas que hoje acessam o Reab.me. Ficamos gratos por receber a participação valiosa dos profissionais que fazem a Reabilitação acontecer. O espaço é de vocês e, por favor, não se acanhem em participar. Conteúdos que agreguem valor sempre serão bem recebidos e publicados. =) Para quem se interessou em publicar por aqui também, pode mandar email com texto e imagem (imagens que tenham licença para uso, ok? Podemos dar dica quanto ao tamanho e resolução) para contato@reab.me =) 

Agradecemos demais a Cínthia e a Ana que confiaram no Reab para publicar seu texto e aguardamos mais contribuições =) 

Att. Ana Leite – editora e colunista Reab.me

 

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