Reflexões sobre Aprendizagem e Reabilitação: um Olhar Psicopedagógico 

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 Não dá para falar em REABILITAÇÃO COGNITIVA sem pensar em APRENDIZAGEM…
 
E aprendizagem está em tudo…Está nos questionamentos dos recorrentes “porquês” da primeira infância, até no momento de dividir a quantidade de batatinhas com o irmão. Está na invenção de amigos imaginários, assim como andar de bicicleta e aprender a fazer a lição. Há oportunidade de aprendizagem por toda parte, porque a infância consiste nisso, fazer descobertas. 
 
Nesse período as crianças aprendem por si mesmas e começam a perceber suas capacidades. Aprendem, diante de estímulos e de mediação adequada e também aprendem, porque veem, cheiram, ouvem, se relacionam, brincam, erram… A intervenção para as aprendizagens iniciais tem porta aberta na família e escola, no entanto durante os processos de aquisição das funções cognitivas, podem surgir entraves que precisam ser avaliados e melhor observados por profissionais das áreas de saúde e educação. 
 
Os problemas que se manifestam na cognição e no comportamento podem ocorrer tanto durante o desenvolvimento e serem percebidos apenas na fase escolar ou durante a fase aguda das doenças. Alguns déficits sutis de APRENDIZAGEM podem ser percebidos na primeira infância, e é neste momento em que a REABILITAÇÃO deve ser pensada, em função de desenvolver aspectos que podem vir a ser maturados através de exercícios cognitivos, atividades dinâmicas e tarefas funcionais.
Os recursos utilizados por profissionais que atuam com reabilitação cognitiva (Neuropsicólogos, Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas, Fonoaudiólogos, Psicólogos, Psicopedagogos, Pedagogos e Educadores Físicos) podem ser inúmeros e ele deve ser pensado primeiramente em função dos déficits cognitivos do cliente, já que o ponto principal da reabilitação é tornar o sujeito capaz de executar funções através de ganhos cognitivos.

Durante um momento em que é percebido alterações no funcionamento cognitivo, fica claro que algo com a APRENDIZAGEM não vai bem e então intervenções serão tomadas em todos os espaços em que o sujeito está inserido. Na escola, o professor capacitado irá dispensar um olhar diferenciado para o desenvolvimento do seu aluno e daí em diante produzirá estímulos que podem estar no contexto da REABILITAÇÃO enfatizando o DESENVOLVIMENTO DAS APRENDIZAGENS. Em casa, os pais recorrerão aos profissionais e com a mediação deles também se tornarão REABILITADORES em atividades do dia a dia do sujeito.

Tenho bem claro que a oportunidade de REABILITAÇÃO é algo que oferecido nas atividades e tarefas que TODOS vivenciamos (no trabalho, na escola e em casa) e que o profissional capacitado a atuar com REABILITAÇÃO desenvolve as FUNÇÕES COGNITIVAS , a partir de uma avaliação e prévio planejamento,  criando possibilidades do sujeito vivenciar ATIVIDADES típicas para sua faixa etária e interesses. Pois tudo é vivencial, tudo é prático e tudo pode se transformar em momentos de APRENDER.
 
Eu não preciso reabilitar FUNÇÕES DE MEMÓRIA pedindo que meu cliente memorize 10 palavras que eu vou falar, mas eu posso reabilitar essas funções pedindo que ele se lembre dos 10 itens que ele precisa levar à escola e após isso pedir que ele resgate as informações. Preciso que ele APRENDA a reabilitar-se também!
 
REABILITAR é fazer as aprendizagens engrenarem, significa mostrar ao sujeito que ele é capaz de desenvolver-se, diminuindo assim o impacto das dificuldades em sua vida. 
E APRENDIZAGEM implica em DESENVOLVIMENTO!
E DESENVOLVIMENTO implica em APRENDIZAGEM!
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2 COMENTÁRIOS

  1. Excelente artigo. É importantíssimo saber quando e onde buscar ajuda profissional nesta fase do desenvolvimento infantil. Texto de grande utilidade para pais, professores e demais profissionais envolvidos com a educação das nossas crianças.

  2. Quando li este artigos falando sobre a aprendizagem, lembro da maneira que fui alfabetizada, uma cartilha, um pedaço de papel e um buraco no meio do papel, a professora colocava o papel em qualquer letra e mandava dizer que letra era aquela, nunca acertava, e levava palmatoria 6 vezes em cada mão, desisti de estudar com medo de apanhar, voltei com 12 anos tive todas as dificuldades, mas tive perseverança, hoje sou psicopedagoga, sou feliz e amo o que faço, o meu trabalho é voluntário, fico feliz em ajudar as crianças com dificuldades.

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