Entenda a Doença de Parkinson: causa, diagnóstico e reabilitação

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Entender o que se tem ou o que faz nosso parente ou cliente agir de determinada forma nos ajuda nos cuidados diários. Sendo assim, trazemos hoje esse post publicado pelo The Sunday Times (autoria de Smriti Daniel) com algumas perguntas e respostas sobre a Doença de Parkinson (DP).

Quais são os Distúrbios do Movimento? Em que categoria a Doença (PD) se encaixa?

Existem áreas específicas no cérebro que controlam e coordenam os movimentos do corpo e membros, enviando mensagens químicas para outras partes do Sistema Nervoso. O rompimento no sistema de comunicação prejudica a capacidade de produzir movimento voluntário ou a de parar os movimentos involuntários indesejados. Esse grupo de condições é chamado de Distúrbios do Movimento.

Existem dois tipos básicos de distúrbios do movimento:

– Hipercinéticos: distúrbios que incluem excesso de movimentos indesejados, tais como tremores, distonia e tiques.
– Hipocinéticos desordens associadas com lentidão ou rigidez, como Parkinson.

A DP foi descrita pela primeira vez pelo Dr. James Parkinson em 1817, é uma das doenças mais comuns do sistema nervoso.

Quais são os sintomas da DP?

As características típicas da DP são a lentidão, rigidez e tremor. Esses sintomas se desenvolvem gradualmente ao longo de um período de meses ou anos, muitas vezes notado primeiramente por um amigo ou parente.

Os pacientes geralmente descobrem que eles têm maior rigidez especialmente em seus braços e pernas, às vezes causando dores musculares. A rigidez ainda difuculta o andar e as tarefas manuais já afetadas pela lentidão.

O tremor começa em uma mão ou de pé, geralmente de um lado, e é normalmente presentes no repouso e desaparece quando a pessoa movimenta o membro para pegar alguma coisa.Isso é agravado pelo estresse, ansiedade e excitação, mas desaparece durante o sono.

Nos estágios posteriores, os passos se tornam mais curtos e a pessoa caminha com passos pequenos. Os pacientes sentem cada vez mais instável em seus pés e podem sofrer quedas.

O que provoca o Parkinson ? Existe um componente genético para considerar?

A área do cérebro afetada na DP é chamado de gânglio basal, que inclui uma área chamada de substância negra que produz o mensageiro químico chamado de dopamina. DP é resultado da perda de células da dopamina na substância negra. Esta queda no nível de dopamina interfere com os sinais da substantia nigra que são necessários para o movimento.

O que provoca a perda de células dopaminérgicas não é conhecido. Embora alguns genes foram identificados associados à DP, a maioria dos casos da doença não apresentam um claro fator genético e, portanto, geralmente não passam de uma geração para a outra.

Quem corre mais risco de desenvolver a doença? Será que a doença aflige um gênero mais do que o outro?

Embora a doença possa começar em qualquer idade, é muito mais comum após a idade de 50 anos (pode aparecer a partir da terceira década de vida em diante). Os homens são ligeiramente mais freqüentemente afetadas que as mulheres.

Como é diagnosticada DP?

Não há nenhum teste que pode diagnosticar DP. O diagnóstico é baseado no julgamento clínico do médico com base no padrão de sintomas e sinais físicos. Testes, incluindo exames do cérebro, são feitos apenas para excluir outras doenças que podem “imitar” DP.

PD pode ser curada?

Infelizmente, semelhante a distúrbios como diabetes e pressão arterial elevada, não há ainda uma cura para o DP. No entanto, existe tratamento eficaz que pode proporcionar alívio dos sintomas e permitir ao paciente levar uma vida normal ativa.

Como é tratada DP?

Medicações como objetivo aumentar os níveis de dopamina no cérebro ou por substituição (Levodopa), ou ativando os receptores de dopamina nas células nervosas (Agonistas da dopamina). Essas drogas são muito eficazes no alívio dos sintomas da DP.

No entanto, essas drogas perdem um pouco de sua potência depois de alguns anos de uso e também estão associados a efeitos colaterais como as discinesias (movimentos involuntários aumentados), geralmente, 5 a 10 anos após o início do tratamento. Existem outros medicamentos que podem ser adicionados para aumentar o efeito desses medicamentos e diminuir seus efeitos colaterais.

Quão importante é o diagnóstico precoce?

O diagnóstico precoce é importante para explicar os sintomas, que nas fases iniciais, quando a doença é leve, os sintomas são apenas uma curiosidade e não uma deficiência. Como o tratamento não oferece cura e apenas proporciona alívio sintomático, seria sensato adiar o tratamento até ao momento em que os sintomas começam a interferir no dia-a-dia ou no funcionamento social (fiquei bastante em dúvida quanto a esta afirmação, masssss……).

O DP pode afetar o pensamento e a memória?

Às vezes, os pacientes têm experiência de confusão e alucinações. Estas podem ser provenientes da medicação ou podem estar relacionadas à disfunção das células do cérebro na doença avançada. Levodopa e agonistas dopaminérgicos podem fazer a confusão e as alucinações piorarem. Alguns pacientes podem sofrer de depressão. Estes sintomas podem ser tratados com os ajustes de dose e antidepressivos adequados.

O que o paciente pode fazer para se ajudar?

Exercícios e fisioterapia são importantes para manter as articulações e os músculos flexíveis e manter a força. Além disso, a fisioterapia vai ajudar a melhorar o andar em pacientes em que falta confiança devido à instabilidade postural.

Não há mudanças de dieta específicas que sejam recomendadas. No entanto, a levodopa é melhor absorvida quando não é acompanhada por uma refeição rica em proteínas ou bebida.

Uma atitude positiva sobre DP e do seu tratamento irá ajudar o paciente e a família a lidarcom os desafios.Aprender mais sobre a doença e seu tratamento vai ajudar o paciente a adequar o tratamento, em parceria com seu médico, para atender as suas necessidades.

Ana K.

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

1 COMENTÁRIO

  1. Oi Ana, tudo bem?
    Eu gostaria de fazer só uma colocação! O lance do tratamento poder esperar até os sintomas começarem a ter uma interferência na vida diária do paciente tem uma explicação que eles deveriam ter dado… Afinal teoricamente, parece um absurdo não tratar adoença né? è como se fôssemos deixar ela avançar sem fazer nada,né? Na verdade, o que acontece é que não existe retardo da doença, a medicação interfere apenas nos sintomas, que se não estão interferindo de forma agressiva no paciente podem ficar sem o efeito da medicação. Isso pq os receptores das células à medicação sofrem desgaste e não vão se regenerar depois e a medicação vaipara altas doses até perder sua eficácia. Por isso eles retardam, porque aí sim quando a coisa começar a afetar a medicação pode entrar, dando novamente ao indivíduo condições melhores e por mais tempo devida!
    A matéria está linda!
    Grande Beijo!

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