Todos sabem que o xadrez é um jogo que exige bastante raciocínio, planejamento e atenção, e por essas características torna-se um recurso a ser usado na rotina de estimulação e como atividade na reabilitação da doença de Alzheimer.

Pensando no xadrez como recurso na rotina de estimulação, aprender a jogar e usar o jogo da forma tradicional já são formas válidas de estimular o cérebro em qualquer idade. Quando pensamos em pessoas com Alzheimer ou outras com déficit cognitivo pode ser necessário usar dos detalhes do jogo, como peças e jogadas, para tornar o desafio adequado ao nível de função mental do cliente, tornando o xadrez um recurso terapêutico.

Listamos sugestões e possibilidades de uso do xadrez como recurso no processo Reabilitação:

– Nomear as peças

– Categorizar das peças por tipo (cavalo, bispo…)

– Posicionar as peças no tabuleiro

– Identificar os movimentos/função de cada peça

– Reproduzir jogadas representadas em um papel (o terapeuta pode desenhar as jogadas ou imprimir de sites de xadrez)

– Relacionar o nome das jogadas a posição e movimentos da peça (podem ser feitos cartões). Ex: Roque: movimento combinado de rei e torre, que vale por uma só jogada que tem por objetivo a segurança do rei e uma maior mobilidade para a torre pelas colunas centrais.

Você pode ir graduando o uso do jogo. Ir aos poucos até chegar no tabuleiro. Explore as peças dentro das possibilidades listadas acima. Se necessário, tenha apoios visuais como cartões com os nomes das peças ou as jogadas que as peças representam. Lembre-se sempre de usar um material que deixe a informação clara. Nada de muitos estímulos! Seja objetivo nas representações gráficas!

As sugestões listadas acima podem fazer parte de atividades pensadas de forma específica para clientes com disfunção cognitiva. O uso do xadrez ou de qualquer outro jogo ou objeto do cotidiano como recurso para Reabilitação Cognitiva deve ser precedido de avaliação e acompanhamento profissional para que tenham o efeito terapêutico desejado.

 

Ah, encontramos também uma dissertação que trata sobre os processos cognitivos no jogo de xadrez. Autor: Wilson da Silva. Ano: 2004.  Clique aqui

Imagem: Freepik

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

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