Era uma vez… como usar Contos de Fadas na Reabilitação de adultos

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Era uma vez….

Essa é a frase típica que temos dos Contos de Fadas, não e? Confesso que eles me encantam muito e já os usei como recurso para terapia de reabilitação cognitiva de adultos/idosos. O livro de contos dos irmãos Grimm, inesquecíveis nomes dos contos de fadas, foi a referência que usei para atingir os objetivos terapêuticos de uma forma leve, pois é, leve… não encontrei nenhum adjetivo melhor.  O livro tem vários contos, uns curtos e outros mais longos, uns bem conhecidos (como Branca de Neve e a Gata Borralheira) e outros menos populares, mas não por isso menos interessantes.

O resultado pode ser bastante surpreendente. Com uma cliente com Alzheimer mais comprometida usei um conto conhecido, a Gata Borralheira, o que a deixou mais interessada no texto. Pudemos antes da leitura “relembrar a estória” e depois comparar o final dos irmãos Grimm com os conhecidos clássicos da Disney.

AVISO AOS NAVEGANTES: Esses contos não são infantilizados e a Gata Borralheira e a Bela Adormecida podem ter não só histórias, mas finais diferentes dos que conhecemos. Leiam antes de aplicarem as estórias. Bem como, procurem livros de contos de fadas para adultos. Nestas referências para adultos as ilustrações são poucas e não espere um material infantil, pois não é!

A seguir listo para vocês algumas formas de usar os contos:

– Comparar as estórias conhecidas com as lidas.

– Usar dos textos para cópia ou ditado (super interessantes para atenção!!).

– Interpretar as estórias.

– Dar um final diferente as estórias conhecidas.

ou… simplesmente “ler”. Entenda esse ler como um complexo exercício cognitivo que pode ser auxiliado por uma régua opaca (que ajuda o cliente a “orientar” a leitura).

 

Alguém já teve essa experiência terapêutica ou tem alguma colocação sobre isso??? Tô doida para saber!!!

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

17 COMENTÁRIOS

  1. Eu uso esse recurso no atendimento pediátrico e é simplesmente perfeito. Tive experiências muito significativas com esse recurso! Principalmente na elaboração do luto e no processo pré-operatório. Vestir e usar fantasias também pode potencializar os resultados!

    • Oi Raitza, vc pode me passar alguns contos que vc usou com esses fins? Pode me passar o nome dos contos ou dos livros que usou. bjo e obg! Ana Leite

  2. Olá Ana, adorei o post que você escreveu sobre contos de fadas. Eu ainda não tenho experiência profissional para relatar sobre o uso de contos nos atendimentos porque estou terminando a faculdade e nos estágios que peguei até agora não tive oportunidade de inseri-los. Mas já escrevi um post no blog de Terapia Ocupacional sobre contos de fadas que complementa inclusive o que Raiza Morais comentou. Vou mandar o link direcionado ao post caso tenha interesse. bjao!

    http://jardimdebrigid.blogspot.com.br/search?q=CONTOS+DE+FADAS

  3. Excelente a intervenção com contos,gosto e utilizo com crianças de várias idades.
    Tenho alguns contos e gostaria de saber como enviar pra vocês.
    Sou psicóloga com especialização em psicopedagogia clínica e institucional e terapia cognitivo comportamental.
    Abraços.

  4. Oi, Ana! Os Contos de Fadas, é um material excelente para trabalhar várias questões, desde psicológicas, como já foi citado no luto, pré-operatório, e também não só crianças!
    Eu utilizo os contos na reabilitação cognitiva, trabalhando construções em arteterapia!
    Apresento um conto, depois peço ao cliente que realize uma pintura, um desenho, ou até escultura com massa de modelar para crianças, massa de biscoito que pode ser usada além das crianças, com adultos também!
    Por exemplo, o Conto de João e Maria! Depois que o conto foi lido, podemos fazer uma receita de massa de biscoito, e o cliente esculpe uma cena ou algo de uma cena do conto que tenha lhe chamado a atenção. Alguns fazem a casa de doces, ou os personagens! Depois, peço que fale sobre a escolha, e ainda peço que cite a receita da massa de biscoito! Resultado: além de trabalhar várias funções cognitivas, a memória desse atendimento fica preservada, pois gera uma emoção em torno dessa atividade, pois os clientes comem um pouco da massa, é é uma delícia!

  5. Os contos são uma óptima forma de trabalho para nós terapeutas, eu juntamente com a minha colega fisioterapeuta, usamos os contos e “recontamos-os” de forma multissensorial, lendo, apresentando diferentes estimulos associados com o decorrer da história e permitindo aos clientes vivenciarem a narrativa (principalmente para aqueles com multi-deficiências). No final o grupo conta a história, desenha, pinta partes da mesma e faz colagem com os estímulos. É uma actividade muito interessante e somos sempre surpreendidas com a forma como eles vão reagindo ao longo da história 🙂

    • Bom dia!!!
      Gostei de ter encontrado o teu site!!! Já trabalhei com contos na psiquiatria e atualmente os utilizo na oncologia (Cuidados Paliativos e TMO). São instrumentos especiais e que despertam a criatividade.

  6. Parabéns!… Também aprovo a idéia e utilizo essa técnica em terapia… Há algum tempo estava tratando uma idosa que estava com alguns sintomas depressivos em decorrência do falecimento do esposo… Foi através de um conto “Morangos à beira do abismo”, que pude, junto com ela, abordar questões sobre vida e morte de uma maneira mais natural… O resultado foi bastante satisfatório, pois a partir desse momento na terapia, a idosa voltou a se interessar por coisas simples como ir ao mercado por exemplo, se vestir e maquiar (coisa que não mais sabia o que era), ouvir uma música, e assim por diante, até a sua alta… Fica a dica de que os contos de fato auxiliam na elaboração terapêutica, porém, não deve ser utilizado aleatoriamente, deve haver um contexto específico que requeira a utilização dessa técnica de apoio, e a história deve ser previamente analisada…

  7. Sou psicóloga hospitalar e já usei histórias na psicoterapia com adulto. O objetivo é diferente do treino cognitivo. No caso em que atendi, foi possível conseguir que a paciente que não falava sobre seus principais problemas, fosse se colocando nas situações da história e aos poucos fosse falando mais e mais de si ao invés de falar dos personagens. o trabalho com histórias abre portas para inúmeras formas de abordagem, eu recomendo! Abraços!

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