Dicas para a comunicação com pessoas com Alzheimer

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Meu pai já me diz há anos: “Se as pessoas soubessem se comunicar, guerras teriam sido evitadas..“.

Comunicação é tudo, gente. Saber se comunicar com pessoas com Alzheimer em fases mais avançadas também é muito importante, vamos saber estimular e também manter contato com aquela pessoa que amamos. Sendo assim, vamos aprender com esse post do Alzheimer’s Reading Room como fazer isso da melhor forma:

1. Faça contato visual. Sempre ao abordá-los cara a cara, faça contato visual. Use o seu nome, se for necessário. É vital que eles realmente vejam você e que a atenção esteja focada em você. Sempre o aborde da frente, se aproximar e falar do lado ou de trás pode assustá-los.

2. Fique em seu nível. A cabeça dele deve estar no mesmo nível da sua cabeça. Flexione os joelhos ou sente-se para chegar a esse nível. Não passe o braço sobre eles, isso pode ser assustador e intimidante. Els não pode se concentrar em você caso esteja focado em seu medo.

3.Diga a ele o que você vai fazer antes de fazê-lo. Especialmente, se você está indo tocá-lo. Ele precisa saber o que vem primeiro, para que  não pense que você está agarrando-o.

4.Fale com calma. Sempre fale de uma forma calma, com um tom otimista de voz, mesmo se você não se sentir assim. Se você está irritado ou agitado, ele pode se espelhar.

5.Fale devagar. Falar menos metade da sua velocidade normal, quando falar com eles. Tome uma respiração entre cada frase. Eles não podem processo seja mais rápido do que as pessoas doentes podem. Dê-lhes uma chance de pegar até suas palavras.

6.Falar em frases curtas. Falar em frases curtas e diretas, com apenas uma ideia para uma frase. Normalmente, ele só pode se concentrar em apenas uma idéia em um momento.
Só uma pergunta de cada vez. Deixe-o responder antes de fazer outra pergunta. Você pode perguntar quem, o quê, onde e quando, mas não por que. Porque é muito complicado. Ele pode tentar responder e ficar frustrado.

7.Não diga “lembrar”. Muitas vezes ele não é capaz de fazê-lo, e você está apenas apontando os seus defeitos. Isso é um insulto, e pode causar raiva e / ou constrangimento.

8.Use frases diretas, positivas e inclusivas. Por exemplo, dizer “Vamos aqui” em vez de “Não vamos aqui”. Ser inclusivo e não falando baixo, como se fosse com uma criança. Respeitar sempre o fato de que é um adulto, e tratá-lo como tal.

9. Não discuta com eles. Isso não leva a lugar algum. Em vez disso, valide seus sentimentos, dizendo: “Eu vejo que você está irritado (triste, chateado, etc …). Essa postura permite que ele saiba não está sozinho. Depois redirecioná-lo para outro pensamento, por exemplo, “Parece que você sempre esteve muito com a sua mãe (marido, pai, etc …). Você ama muito, não é? Diga-me sobre o tempo … ” Então, pergunte uma de suas histórias favoritas sobre essa pessoa.

Dicas como essas de comunicação podem ajudar muito a ter e trazer mais qualidade de vida em um contexto diário com pessoas com Alzheimer. Na vida, apesar de sempre sermos a mesma pessoa, temos que nos adaptar as situações, não é isso?? E a comunicação é uma das coisas que profissionais e cuidadores tem que saber adaptar.

Ana Katharina Leite.

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

4 COMENTÁRIOS

  1. Outra dica importante é informar a familia e ao cuidador da importancia de não corrigi-lo e de não falar na frente dele (ou mesmo que for nas costas, mas ele perceber que estão falando) o que ele tem feito de errado, dando problema… por muitas vezes já vi familiar falar : ” ah, o fulano não me ajuda, reclama de tudo, não faz o exercício direito…” enfim, são algumas falas que o familiar/cuidador tem que ter o “insight” de não usar!!! Achei magnífico esse tópico!!! dá vontade de imprimir e distribuir para a familia tooooda!!!!até coloquei no meu blog…mas com a devida citação!:D!! bjoooo e otimo feriado!!!!

  2. Olá pessoal!!!

    Adorei o artigo!
    Estas dicas são verdadeiras e super válidas, e não somente para pacientes com Alzheimer, mas também com Síndrome de Down (bom, esta é minha prática clínica!)
    E pensando bem, não somente com Down… Mesmo qdo estava na neuropsiquiatria, sempre agi da forma acima descrita e posso afirmar, funciona muitíssimo bem!!!

    Parabéns pelos excelentes artigos que vem sendo postados neste site. São de extrema valia!!!

    Ana Leonor Torrano
    Fonoaudióloga

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