Demência e Câncer: uma combinação que merece mais atenção

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Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade da Geórgia e do Moffitt Cancer Center, na Flórida, descobriu que pacientes com câncer e demência têm uma taxa de sobrevivência significativamente menor que pacientes que possuem apenas câncer, independente de fatores como idade, tipo e estágio do tumor.

No entanto, o estudo também afirma que um diagnóstico de demência não deve desencorajar o uso de tratamentos oncológicos adequados. Segundo Claire Robb, professor adjunto da faculdade de UGA de Saúde Pública: “Enquanto a população envelhece, vamos ver mais pacientes com demência e câncer, e com isso os tratamentos devem melhorar” . O professor ainda afirmou que  “Até agora não há diretrizes para oncologistas sobre como tratar estes pacientes.”

No estudo foram comparados os resultados de 86 pacientes com câncer e disfunção cognitiva e um grupo controle de 172 pacientes com câncer sozinho, sabe qual a descoberta? que pacientes com câncer e demência sobreviveram uma média de quatro anos a menos, e que essa diferença de sobrevida persistiu mesmo após examinar variáveis como: idade, tipo de tumor e estágio do tumor.

Na pesquisa ainda houve uma diferença significativa no tempo de sobrevivência entre aqueles com comprometimento cognitivo leve e aqueles com insuficiência renal moderada a grave .

Enquanto os pacientes com demência de moderada a grave tinham um tempo de sobrevida médio de oito meses, aqueles com demência leve apresentaram um tempo de sobrevida média de quase quatro anos e meio.

Os pacientes do estudo receberam o mesmo tratamento, independentemente do estado cognitivo, mas outros estudos encontraram que os pacientes com demência, muitas vezes recebem menos rastreios do cancro e são submetido a um tratamento menos agressivo. Um estudo descobriu que os médicos eram significativamente menos propensos a recomendar uma mamografia para uma mulher com demência, enquanto outros encontraram que os pacientes com demência tiveram duas vezes mais probabilidade de ter câncer de cólon relatados somente após a morte.

Outro estudo com pacientes com câncer de mama mostrou que aqueles com demência tinham 52% mais probabilidade de terem um tumor removido cirurgicamente, 41%  probabilidade de se submeter a terapia de radiação, 39% menos probabilidade de se submeter a quimioterapia e quase três vezes mais chances de receber nenhum tratamento (números preocupantes, não?).

A Profa. Robb ressaltou que não defende um tratamento excessivamente agressivo para os pacientes que estão nos estágios finais de demência, mas solicita a criação de diretrizes para ajudar a garantir que pacientes com câncer e prejuízo cognitivo recebam um tratamento adequado.

“As pessoas pensaram sobre o impacto do envelhecimento da população sobre as taxas de câncer e demência, mas não tem sido dada muita atenção ao que acontece quando as doenças coincidem”, disse Robb. “Nós vamos estar vendo mais casos como estes, e, se este estudo serviu para alguma coisa, espero que tenha sido para aumentar a consciência desta situação”.

Fonte: Sam Fahmy apud Medical News Today

Ana Katharina Leite.

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

1 COMENTÁRIO

  1. Pagamos convênio para minha mãe há uns 6 anos, com a evolução do Alzheimer os médicos pararam de pedir qualquer exame. Há uns dois anos fui a um geriatra do plano para encontrarmos uma solução para realizar os exames rotineiros de mulheres: mamografia, transvaginal e até mesmo um exame para verificar as queixas de dores na coluna.
    Pois bem, a resposta que tive desta médica foi a seguinte: Teria que fazer um rx da coluna, mas neste estado, como será feito? Ela não se deixa examinar. E mais, se tiver câncer, como vamos tratá-la?
    Droga, eu não sei… ela é a médica, tinha que buscar as informações.
    Fiz várias queixas no site do reclame aqui.
    Enfim agendaram para uma especialista do cognitivo que este ano estava tentando adequar medicação para que melhorasse o comportamento mega agitado.
    outro problema de minha mãe era os dentes, não permitia que higienizasse há mais de dois anos, no banho colocávamos enxaguante infantil e ela rapidamente cuspia.
    Há um ano e meio atrás conseguimos a muito custo fazer uma panorâmica da minha mãe, levei o resultado e o médico ligou, perguntou se queríamos fazer implantes nela, dissemos que não, pq seria um processo doloroso nela, somente queríamos extrair os dentes que estavam prejudicados e ele disse que não havia.
    Meu pai não aceitou, constantemente dizia pra novamente passá-la em consulta.
    Enfim, com a troca de médica, esta encaminhou a um novo buco e este quando a viu disse que impossível de examiná-la, agendou cirurgia hospitalar pra extração, já que os dentes que tinham não tinham mais funcionalidade e no pré operatório faria os exames pré cirúrgico.
    Bem esta conduta que tanto sentíamos falta nos profissionais deste convênio.
    Não sabíamos que na cirurgia ele realizou uma biopsia na minha mãe e lá constatou o câncer na boca.
    Passei hj no médico e ele disse que no estágio da doença e com o nível de agitação dela não seria possível a cirurgia e nem a radioterapia e agora só resta cuidados paliativos.
    Minha mãe tem uma excelente saúde física, embora tenha mal de alzheimer há quase dez anos.
    É uma angústia a mente dela não permitir um tratamento para o C.A.

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