Deixa eu ser chata?

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Deixa eu ser chata, aliás chatíssima? Certo, se você está continuando a ler, deixou. Obrigada!

Esse post faz parte de uma coluna que batizei como Coluna Reab, ou seja, um espaço que quem quer fala o que quer (e pode ouvir o que não quer… #fato). Minha pretensão quando essa coluna foi criada foi dar “liberdade” aos colunistas (eu, Paulinha, Luciana e para vocês, claro!). A Coluna Reab é para pessoas falarem de si, de suas experiências, de suas dúvidas, de tudo… sem o medo de não estarem respaldadas em nenhuma fonte, autor ou teoria. Falem!!!! foi isso que eu quis dizer nas entrelinhas do Coluna Reab.

Pois bem, se é para falar, vou falar, né? E vou falar sobre uma coisa que já aconteceu comigo, com alguns que conheço (será que todos… vou pensar!) e, provavelmente, com muitos de vocês. Quero trazer à tona hoje a questão dos horários das terapias.

“Trimmmm, trimmmm”, toca o telefone do consultório médico. A secretária atende, diz: “Consultório, bom dia!”. Do outro lado da linha: “Olá, gostaria de marcar uma consulta para meu filho”. Bem, a partir daí a secretária diz os horários disponíveis do profissional e o familiar adequa aos compromissos e tarefas cotidianas. Não é assim ou em outro lugar funciona de outro jeito?

Já presenciei histórias que fogem disso. E a história “foge” por um motivo muito simples, quem está sendo atendido impõe o horário do atendimento. (Hummm…. estranho??). “Quero que meu filho seja visto às 10:ooh da quarta-feira…. Não dá para ser dia de quarta às 10:00h?“. Com médicos isso, provavelmente, não acontece, butttttt raro é o profissional de reabilitação que já não passou por essa imposição ou algo bem similar (no meu universo, pelo menos, são raros…).

Acredito que se alguém contrata um serviço é porque confia nele (ou está dando a chance). Se você confia no seu terapeuta (seja ele, fisio, t.o, fono, psico…), deixe-o avaliar isso com você, deixe-o combinar com você qual o horário melhor para o atendimento dentro do que ele dispõe.

Enfim, deixa eu ser chata e te dizer qual o melhor horário para o atendimento dentro do que eu disponho e do que eu avalio do seu parente, deixa???

P.S: A conscientização da sociedade quanto às qualificações e deveres dos profissionais é o primeiro passo para o respeito e retorno que muitos de nós queremos só que não nos esforçamos para atingir.

#FicaADica

Foto: tizzie

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

6 COMENTÁRIOS

  1. ACREDITO QUE ISSO ESTEJA DIRETAMENTE RELACIONADO COM A VALORIZAÇÃO DO NOSSO TRABALHO (SEJA FISIO, TO, PSICO, FONO…) AS PESSOAS “EXIGEM” MUITAS VEZES, PQ “ACHAM” OU DEDUZEM ERRONEAMENTE QUE A GENTE NÃO TEM NADA PRA FAZER OU QUE A GENTE TEM POUCO PACIENTE OU QUE A GENTE TEM A OBRIGAÇÃO DE REALIZAR A SESSAO NA HORA QUE ELA PREFERIR PQ ELA ESTÁ PAGANDO…E TAL E TAL… ESSA QUESTÃO ESTÁ DIRETAMENTE RELACIONADA COM O VALOR DAS CONSULTAS QUE SÃO COBRADAS POR AI.. PELO AKI ONDE EU MORO TEM GENTE QUE COBRA “MIXARIA” PRA FAZER UM TRABALHO ‘MIXO” E FALAR QUE “AKILO” QUE ELA FAZ É FISIOTERAPIA, É TERAPIA OCUPACIONAL…ENFIM!!! ACHO QUE NOSSAS “CHATISSES” ESTÃO REPLETAS DE RAZÃO!!!

  2. CHATA ! Este espaço é para profissional ou para nós que cuidamos ? Concordo somos impositores, ou Chatos, temos de adequar a horário de vocês, mas quando precisamos de uma equipe multidisciplinar , normalmente somos obrigados a apresentar ao profissional recém contratado os seus horários disponíveis. E por falar em ser chata, me responda também uma outra pergunta chatíssima. Porque enhum profissional de reabilitação quer trabalhar com meu marido, ele já passou pelo Sarah, pela AACD, está tentando no Lucy Montoro, mas não tenho esperança de um trabalho com envolvimento. Vou explicar melhor o não querer trabalhar….Eles até o aceitam, mas não fazem um plano de reabilitação, passam informações ao cuidador para aquele que não tem nenhuma formação tenha que fazer o trabalho do profissional que estudou anos para ter um tpitulo de graduação. Sabe porque ninguém quer trabalhar com meu marido ? Por que ele teve uma hemorragia de cápsula interna, oriunda de uma má formação congênita, igual aquela queá Neurocientista relata em seu livro _ A Neurocientista que curou o próprio cérebro – Então, ninguém quer trabalhar com ele, porque os profissionais da “doença” , não tem amor, não tem paciência, porque ele teve lesão de tálamo e hipocampo, lesão axonal difusa, porque a hemorragia aconteceu quando ele estava pilotando uma moto. Mas, quis Deus que eles estivesse há 7 minutos do melhor hospital de Curitiba e caiu nas mãos do melhor neucirurgião daquela cidade, por isto e por nossa fé e dedicação elel está além, muito além das pessoas que vemos nestes hospitais de reabilitação. Mas, ele tem um deficit de memória recente e um deficit comportamental. Por isso ninguém nestas instituições o quer por lá. Querem pacientes que eles digam : faça assim, – viram as costas e deixam o cara lá sozinho se virando. Se for pra pagar, ai o profissional faz de conta que trabalha, e assim, lá se vão 2 anos e meio, onde eu não páro e não dou sossego. Se voxê quiser mesmo ajudar neste seu site, seja mais precisa, apresente centros de reabilitação que trabalhem com amor e dedicação, que queiram pegar um caso e fazer algum progresso por ele. Meu marido só obteve sucesso de equilibrio, simetria, tônus, etc, porque um professor em educação física que trabalhou 08 anos com crianças especiais aceitou trabalhar com ele. POr que será que com ele temos resultado? Chata é impor horário…Chata é impor horário e não fazer nada que acrescente, fechando-se no seu ceticismo, como a maioria dos profissionais. Dizem que fazem reabilitação neurológica, …podem até fazder , mas não é bem isso que vejo….reabilitação neurológica tem sentido amplo….o que não vi até hoje foi um profissional dedicado a o paciente que necessite de reabilitação com deficit de neurônios. Aliás vocês só escrevem post’s ou atuam clinicamente ? Tem alguma super dica pra dar?

  3. Eliana,
    Eu sou fonoaudióloga e digo por toda a classe de terapeutas que trabalham com reabilitação neurológica que
    existem SIM muitos profissionais sérios e competentes que trabalham com paciência e carinho aos seus pacientes!!
    Infelizmente, as instituições tem que ter critérios para eleger os pacientes em atendimento, para, assim, conseguir atender as filas de espera.

    Entendo sua angústia, mas acho que seria melhor vc dizer de onde é e que profissonais procura. Com certeza, aqui no site, vc poderá encontrar dicas e profissionais que possam te ajudar !
    Abraços,

  4. Sou gestora de um serviço de reabilitação, o setor de Reabilitação Gerontológica do Lar Escola São Francisco, vinculado à Unifesp e conveniado ao SUS. Para nossa equipe, excelência terapêutica significa, dentre outras coisas, valorizar e incentivar o protagonismo do paciente sobre seus cuidados em saúde. Somos mediadores, facilitadores de um processo que se inicia internamente no paciente: ele percebe a necessidade de se tratar (ou sua família), demanda assistência especializada e se co-responsabiliza pelo tratamento. Nada de paternalismos. Trata-se de um contrato onde ambas as partes têm direitos e deveres que devem estar claros na admissão à instituição.

    No nosso caso específico, a avaliação geriátrica e a gerontológica abrangente ocorrem em dias e horários fixos. Os grupos terapêuticos também. Conseguimos negociar com o paciente e família apenas os grupos que se repetem na semana ou atendimentos individuais. Sempre procuramos negociar para garantir a ADESÃO ao tratamento. A pessoa idosa tem uma rotina de médicos e exames tão complexa que muitos jovens não conseguem compreender. Fora isso, reabilitar não tem nada a ver com uma consulta a cada 3 ou 6 meses, como é o caso das consultas médicas. É uma rotina que envolve alocação de tempo e deslocamento semanal (às vezes 2 ou 3 vezes por semana) que tem de se estabelecer por um dado período.

    Portanto, mesmo atuando no SUS, negocio e facilito ao máximo, dentro dos limites do aceitável. Outra faceta da questão é que devemos sempre estar atentos aos sinais e aptos a diagnosticar uma RESISTÊNCIA caso o paciente esteja aceitando horários e faltando com alegação de falta de tempo ou simplesmente recusando todas as propostas de horários vagos sistematicamente. E isso deve ser trabalhado. É informação relevante para o processo terapêutico, gente!

    Concluindo, não acho que esse comportamento tem fundamento no prestígio profissional, mas nas características dos tratamentos e no estilo de vida de hoje que dificulta acomodar tantos compromissos. A mãe hoje trabalha e têm um filho que precisa se tratar… O filho ou neto trabalha e precisar levar o avô para se tratar… Sem isso, esses pacientes simplesmente não conseguem se deslocar! Por outro lado, todos precisam se envolver. Portanto, a palavra de ordem é: NEGOCIEM. Criem empatia com seu paciente logo no início e terão 50% da terapêutica ganha só na qualidade do vínculo!

    Nosso setor fica à disposição, assim como toda a nossa instituição que já tem 67 anos (www.lesf.org.br). Estamos em São Paulo, e enfrentamos esse problema no nosso dia-a-dia. Agradeço pela reflexão feita e espero ter contribuído “provocando” um pouquinho…

    Abraços

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