Como realizar transferência (mudança postural) da cama para cadeira de rodas?

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O dia-a-dia de cuidadores de adultos e idosos comprometidos é repleto de desafios. Muitos desses desafios estão em tarefas “simples”, como transferir o cliente da cama para cadeira de rodas. Sendo assim, o Reab resolveu pesquisar e ajudar profissionais, incluindo os cuidadores, a ter em mãos dicas que ajudarão na realização de atividades cotidianas.

O vídeo que trazemos hoje trata da transferência da cama para a cadeira de rodas, ou seja, estamos falando de casos onde os clientes não tem condições de fazerem a passagem da cama para a cadeira sozinhos. Nosso exemplo trata de cadeira de rodas, mas poderia ser qualquer cadeira, certo?

Para a transferência:

1. O primeiro passo é organizar o entorno, ou seja, o cliente e a cadeira.

O cliente deve estar sentado e a cadeira de rodas a 45 graus da cama. O profissional que irá realizar transferências deve estar na frente do cliente e ao lado da cadeira de rodas (de forma que o assento esteja virado para o profissional). Uma dica importante: se o cliente tem um lado do corpo comprometido, vamos deixar o lado são virado para a cadeira (veja o vídeo e entenda melhor). Lembre-se: antes de começar a transferência assegure-se que o freio está ativado, que o braço da cadeira foi levantado e que o apoio dos pés está recolhido (algumas cadeiras não vão possuir mobilidade em algumas partes, mas se houver, siga essas instruções).

O cliente deve estar sentado na beira da cama, com os pés bem apoiados no chão e o tronco inclinado para frente. O profissional deve se posicionar à frente do cliente, pedir que ele coloque as mãos sobre os ombros do profissional (se um braço estiver comprometido, só será apoiado o braço são). As mãos do profissional podem estar sobre os ombros do cliente, sobre as escápulas ou ainda segurando a calça/short do cliente (veja o vídeo e entenda melhor).

2. O segundo passo é orientar o cliente o que será feito e como ele deve participar. O profissional combinará com o cliente que ao contar três (1, 2, 3…) ele será elevado em direção à cadeira de rodas e deve participar o máximo que conseguir.  Em seguida, o profissional faz a contagem, inclinando mais o corpo do cliente à medida que conta e, quando o cliente levantar, continua a dar a orientação ao cliente, pedindo para ele girar o corpo em direção à cadeira.

3. O terceiro passo consiste em sentá-lo e perceber se está bem posicionado no assento, com o tronco sobre o encosto, para que os pés possam ser colocados sobre os apoios e o braço da cadeira abaixado.

E se o cliente é muito dependente e não consegue participar da mobilização?

– Se o cliente pode manter os pés no chão e consegue sustentar o peso do corpo:

Neste caso, são necessárias duas pessoas, uma de cada lado do cliente. Cada profissional colocará uma mão sobre o a escápula (alguns chamam “pá das costas”) e a outra deve segurar na calça/short do cliente. Percebam que a profissional que aparece no vídeo abaixo está com o braço esquerdo dela sobre a escápula e a mão direita segurando a calça do cliente.

Uma vez posicionados, os profissionais vão fazer os mesmos movimentos e darão as mesmas orientações ao cliente.

– Se o cliente NÃO pode manter os pés no chão e  NÃO consegue sustentar o peso do corpo: 

Neste caso, serão necessárias 2 pessoas. Estas se posicionarão cruzando o braço nas costas do cliente para segurar na calça/short do lado contrário e colocarão o outro braço embaixo do joelho do cliente.

Abaixo vocês podem assistir o vídeo e ver com detalhes como fazer as transferências:

O vídeo foi retirado do Youtube do Canal da Danõ Cerebral.

E, por fim…. Se você está procurando exercícios para estimulação cognitiva, tem a dica dos nossos cadernos de exercícios!!! Os cadernos Reab.me exploram temáticas do cotidiano e foram pensados no cliente final, o cliente com déficit. Usamos linguagem fácil e acessível para auto-aplicação ou para ser feito com ajuda com cuidador. Enviamos para todooooo Brasil e Portugal. Gostou da ideia? Clica aqui e vai conhecer!

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imagem destaque: myfuture.com

Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

10 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom, Ana! Eu só acrescentaria que: ao ficar de pé, algumas pessoas podem deslizar o pé para frente e se inclinar para trás. O terapeuta pode deixar o seu pé na linha de frente do pé do cliente evitando ele escorregar. Ficou claro?
    E para alguns pode ser evidenciado a consciência de apoio dos pés no chão, ou empurrar os pés ao solo para tentar desencadear a reação postural.
    O mesmo deve ser feito com a terapeuta/cuidador para não sobrecarregar a própria coluna: empurrar os pés ao solo, e cooperar com os músculos abdominais na transferência aliviando a região lombar. Se puder evitar grande rotação de tronco nesta hora, é melhor.
    Que todos cuidem de seus corpos!
    Parabéns!

  2. Olá Ana! A explicação está muito clara, bem como os procedimentos do vídeo, no entanto, gostaria de acrescentar um ponto muito importante: antes de se efetuar a transferência, é muito importante a estabilização do membro inferior sobre o qual se irá rodar. No caso do vídeo, seria importante estabilizar o pé e joelho esquerdo do paciente com os nossos membros inferiores, para que não haja o risco de o paciente escorregar e nos trazer danos também a nós terapeutas.
    Beijinhos

  3. tenho minha mãe com alzheimer e agora ela caiu e quebrou o quadril, não tenho condições de ter uma cuidadora , cuido sozinha dela, como fazer a transferencia da cama para cadeira de rodas e vice versa sozinha, sei que o correto é em 2 pessoas, mas qdo não da, como fazer pra eu não machucar minha mãe e nem me machucar tb………obrigada

  4. Estou vivendo o drama da Sonia Regina Moretti. O que mais me preocupa é que tenho 66 anos e estou sentindo muitas dores nas costas. Não me sinto capaz de pegar o dia todo o peso de 60 quilos.
    Existe algum recurso de polias e gruas que possam suportar o peso?
    Socorro. Preciso de informação!

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