Atividades para a rotina de estimulação da pessoa com Alzheimer

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O dia-a-dia de um cuidador de idosos não é fácil. Várias tarefas da rotina do idoso são responsabilidade dele: alimentação, higiene, gerenciamento de medicações e, não podemos esquecer, a estimulação cognitiva.

Pensando nos materiais que podem ser usados pelos cuidadores de idosos na estimulação cognitiva, resolvemos listar atividades e objetos que podem fazer da rotina da estimulação.

Apesar de ser difícil dizer tudo em um post, vamos lá:

– Ler:

– Livros. Jornais, Revistas: esses recursos podem ser úteis para estimular todas as habilidades cognitivas relacionadas a leitura, afinal para essa atividade aparentemente simples tudo começa com o reconhecimento de letras, sílabas e palavras, para pelo processamento de frases e parágrafos até chegar na compreensão do texto. Usando a leitura, o cuidador pode estimular o conhecimento prévio do leitor sobre o assunto, estimulando a linguagem e a mémoria. Habilidades de compreensão e raciocínio são necessários para a interpretação do texto. Sendo assim, cliente capazes de atingir esse nível de processamento da informação, devem ser requeridos pelo cuidador a interpretar o texto lido.

Curiosidade:

“De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso; a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa como um tdoo.” Conhecendo esta curiosidade, fica mais fácil entender a complexidade da leitura para nosso cérebro. 😉

Algumas estratégias podem ser necessárias para se atingir um desempenho eficaz do cliente durante a leitura:

Uso de régua. A régua pode ser importante para direcionar a atenção do cliente ao texto e orientá-lo quanto a sequência da frase.  As réguas recomendadas são as opacas, pois as transparentes podem não “isolar” completamente o texto a ser lido.

Uso de marcador de texto. Os famosos marcadores de texto também podem ser usados na estratégia de isolar o trecho do texto a ser lido ou o começo e o fim do texto.

Ainda sobre a leitura, podemos usar os jornais e revistas para orientação temporal e espacial. Lembrem-se que no topo do jornal ou na borda da capa da revista sempre temos a data/período.

Dica: revista que conheço e gosto muito pelos textos é “Vida Simples”. Os textos são atemporais e dão pano para manga quando o assunto é interpretação.

Ouvir música:

Aqui no site temos uma tag que é “musicoterapia”. Resolvemos adicioná-la porque a música é de fato uma ferramenta terapêutica de grande valia. E, quando o assunto é estimulação cognitiva, não poderíamos deixá-la de fora.

A música pode ser relaxante para o cliente, ou seja, nos momentos de agitação, é uma excelente ferramenta para o cuidador quando ele quer mudanças de humor no cliente. Como recurso de estimulação pode-se usar a música pedindo ao cliente para bater palmas, assoviar ou bater os pés, sendo uma forma de “perceber” o corpo e de estimular o ritmo.

A memória musical também pode ser estimulada, sabemos que todos temos músicas significativas e quando o cuidador sabe quais músicas são significativas (ou da época do cliente) pode desencadear lembranças que podem ser tema de conversas entre o cuidador e o cliente. Além de falar sobre as lembranças, também faz parte da estimulação cognitiva, pedir ao cliente para cantar. Cantar é algo que até pessoas em estados avançados de demência podem fazer.  Aliás, usar a música nesses estágios avançados de demência pode trazer à realidade pessoas que passam a maior parte do tempo distantes e alheias à realidade.

– Ver fotografias:

Ter fotografias significativas emolduradas pela casa é ter um recurso útil para quem cuida. Fotos emolduradas e albúns de fotografia podem ser constantemente utilizados pelo cuidador para estimular a memória de clientes. O reconhecimento de faces, de lugares e de situações pode ser conseguido por meio da fotografia. Discutir lembranças é uma estratégia que até hoje se usa na “terapia de reminiscências” que consiste em usar fotografias, objetos familiares e músicas para obter benefícios cognitivos e comportamentais. Fazer uso desses recursos com frequência pode ser bastante positivo para os clientes.

Estimular o uso objetos familiares:

Manter objetos familiares à vista dos clientes é uma ação que deve ser desenvolvida pelo cuidador. Esses objetos não só ajudam os clientes a se orientarem, o que diminui o risco de confusão e agitação, mas também trazem lembranças importantes. Aliás, a diminuição da confusão deve-se a essa “lembrança”.

Permitir (desde que não comprometa a segurança) e estimular a manipulação de objetos familiares pode ser crucial para manter o cliente ativo durante mais tempo. Se ele é capaz de pentear os cabelos, mesmo precisando de supervisão ou que o cuidador ao final precise refazer, é importante para manter a memória de como realizar as atividades. Se ele é capaz de “arrumar”a gaveta, que seja estimulado para tal. Isso deve ser visto não somente como estratégia para preservar as memórias como também atitude positiva para o sentimento de auto-eficácia.

Sendo assim, percebe-se que deve fazer parte da rotina de estimulação manter o cliente ativo em atividades que são conhecidas por ele.

Lembre-se de SEMPRE MANTER O CLIENTE TÃO INDEPENDENTE O QUANTO FOR POSSÍVEL.

Estimular o contato do cliente com amigos e parentes

O cuidador vai ser a pessoa que mais tempo passa com o cliente e, portanto, a pessoa que mais o conhece em termos de habilidades e limitações. Faz parte da progressão da demência de Alzheimer, assim como outras demências, o distanciamento social do cliente, pois as habilidades necessárias para socialização vão sendo comprometidas.

Manter o máximo possível o convívio social é importante também do ponto de vista cognitivo. Socializar é uma oportunidade de usar as habilidades cognitivas. Quando estamos diante de um caso com algumas limitações que prejudicam a socialização, é necessário que o cuidador seja o intermediário dessa relação. Funcione como uma espécie de “tradutor” para o cliente. O cuidador não somente vai “traduzir” a conversa, mas também vai orientar aos parentes e amigos como deve ser feito.

Se você gostaria de saber quais são as regras para a comunicação com pessoas com Alzheimer, clique aqui.

Oferecer oportunidades de atividade física:

Engana-se quem acha que a pessoa com Alzheimer não pode fazer atividade física. Ela tanto pode quanto deve. Os exercícios físicos fazem parte de uma rotina com estímulos.

A atividade ser uma excelente oportunidade para estimular o cliente do ponto de vista cognitivo, pedindo que ele volte sua atenção e tenha informações do entornp (“Olhe a frente da sua casa como é bonita”  “Sua casa era assim quando você veio morar nela? ” etc.). E, além de ser a oportunidade de estimulação, a atividade física contribui para a redução de placas amilóides (causa do Alzheimer).

Aqui no site já falamos disso, veja neste post os exercícios físicos recomendados para a pessoa com Alzheimer.

Exercícios Cognitivos

Os exercícios cognitivos podem ser orientados pelos terapeutas que trabalham com o idoso e contemplarão habilidades de memória, atenção, raciocínio e etc que devem ser estimuladas. Existem alguns materiais que podem ter exercícios interessantes para esse grupo, alguns que desafiam as habilidades cognitivas com temáticas mais gerais e outros com temáticas mais específicas e focadas na história, rotina, hábitos e interesses dos idosos, como são os materiais a seguir:

Essas atividades que citamos, deve fazer parte da rotina da pessoa com Alzheimer. Aliás, rotina é importantíssimo para esses casos, ajuda a orientar. Sente-se com seu terapeuta ocupacional e planeje com ele a rotina do cliente de acordo com a quantidade de estimulação necessária.

Atividades que antes faziam parte da vida do cliente e eram significativas, como ir à missa, rezar o terço ou dançar (dentre tantas outras) devem, se possível, ser incorporadas nessa rotina de estimulação. Familiares serão valiosas fontes de informações sobre atividades e interesses do cliente, não hesite em procurá-los.

Ah, nunca esqueça que para realização de qualquer atividade é necessário o máximo de segurança possível. Nada de situações que possam representar riscos, seja para o paciente ou até para o próprio cuidador.

 
Fontes:
– Aspectos linguísticos e cognitivos da leitura.
Efeitos da música em idosos com doença de Alzheimer em ILPIs.
Demências; evidências contemporâneas sobre a eficácia de tratamentos.
 
Imagem:  Best Alzheimer’s Products
Sou terapeuta ocupacional de formação, comunicadora por dom e experiência ao longo dos 10 anos frente ao reab.me; empresária que aposta na produção de produtos e conteúdos significativos e com propósito para ajudar as pessoas que precisam dos cuidado da reabilitação. Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE) com especialização em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design (UFPE). Sou autora de 4 livros de exercícios para estimulação cognitiva que servem como material de apoio em contextos terapêuticos que visam a manutenção ou melhora de disfunções cognitivas. Sendo eles: - 50 exercícios para estimulação cognitiva: o cotidiano em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a culinária em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva: a família em evidência; - 50 exercícios para estimulação cognitiva de crianças com dificuldades de aprendizagem. No mais, sou Ana, esposa de Fábio, mãe de Olga e Inácio. Praticante de meditação e yoga.

20 COMENTÁRIOS

  1. E quando a portadora, como minha mãe, é acamada, não fala, não anda? Não sei o que fazer pra estimulá-la. Eu converso com ela, coloco música, falo tudo que vou fazer com ela (ex: trocar fralda. virar de posição ..). Gostaria de fazer mais coisas. Obriagada.

  2. Caros,

    Minha avó, 85 anos, é deficiente visual há 36 anos, tem problemas de audição e há 8 anos é portadora de DA.

    Quais atividades sugerem nesse caso? Pois o rádio q era o seu fiel companheiro, ela já não acompanha mais.

    Desde já agradeço.

  3. Olá bom dia, cuido de uma senhora que embora com limitações ainda consegue ser autónoma, o problema dela está na memoria, vive completamente no passado, e em termos de memoria só lembra o momento, simplesmente não se lembra do que fez ou disse passado 5 m. Gostava muito de receber algumas actividades mais direccionadas, para este problema em que pudesse fazer com ela para a poder estimular .
    obrigado pela a atenção,
    Otília Simões

  4. Bom dia

    Meu pai tem 69 anos esta com DA há 5 anos, no momento ele só quer dormir de dia e acorda de madrugada nervoso, falando coisa do tipo que vai matar sua esposa. Como faço para mantê-lo acordado durante o dia e nada prende sua atenção.

  5. Bom Dia,

    Ana,

    Meu pai é portador de DA e Parkinson, por isso esta restrito a grandes movimentos, o próprio andar, a locomoção é bem cansativo e difícil para ele. Além disso foi uma pessoa que tinha a rotina do trabalho para casa e sem grandes alterações no dia a dia. Gostaria de realizar algumas atividades porem fico sem saber quais, Ana poderia me ajudar?

    • Janaína, acho super importante sua busca e aconselho que você procure o médico do seu pai e peça indicações de profissionais de Reabilitação. Fisioterapia, Fono e T.O podem ser muito importantes para seu pai. Um profissional de Terapia Ocupacional poderá avaliar as atividades que podem ajudá-lo! Além do que pode ser feito de adequação e adaptação na rotina dele.

  6. Minha vizinha está com alzheimer e quero muito ajuda-la, mas poderia me ajudar e quais materiais para estimula-la? pois ela só fica esfregando as mãos, me ajudem preciso ajudar essa familia. Deus abençoe a todos. Célia Maria Pereira.Bom dia. Deus abençoe.

    • Oi Célia, o estímulo na doença de Alzheimer pode vir de coisas simples. Agora em Setembro teremos um Congresso Online Gratuito que trará muitas dicas práticas. CONAZ: procura por esse nome e se inscreve. Vai te ajudar!

    • Olá Luciana, vamos anotar sua sugestão. É um prazer enorme saber que você gostou do nosso conteúdo, obrigada pela dica e volte sempre.
      Abraços, Equipe Reab.me

  7. Barbara Rocha.26 de junho de 2018. Oi Luciana, gostei muito das suas sugestões sobre alzhelmer, pois sou cuidadora de pessoa com este tipo de patologia e já fiz varias atividades e vou adaptar mais algumas das suas.Obrigada.Um abraço.

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