As alterações de comportamento na demência: quais são e como são tratadas?

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A demência pode ser caracterizada como um declínio geral das funções cognitivas, dentre elas a memória; e este “cenário” é o mais divulgado e conhecido. Quando se fala em demência, se fala em déficit de memória.

No entanto, especialmente nas fases moderada a avançada da demência, o idoso pode apresentar os sintomas neuropsiquiátricos. E estes são comuns, como mostra um estudo realizado pela Santa Casa de Misericórdia de Vitória (HSCMV) com idosos acompanhados pelo ambulatório de geriatria, 98% dos idosos com demência apresentavam um ou mais sintomas neuropsiquiátricos.

Esse conjunto de sintomas abrange a agitação, o comportamento motor aberrante, a ansiedade, a euforia, a irritabilidade, a depressão, a apatia, a desinibição, o delírio, a alucinação e as alterações de sono ou apetite.

Os sintomas neuropsiquiátricos acarretam diminuição da qualidade de vida, institucionalização precoce e aumento das comorbidades clínicas dos pacientes, além de maior sobrecarga e estresse emocional para os cuidadores. Ressalta-se que, com a progressão da demência, a dependência nas atividades de vida diária, o comprometimento cognitivo e as alterações comportamentais do idoso, tornam-se mais evidentes, demandando cuidados mais complexos e por um tempo maior.

A abordagem dos sintomas neuropsiquiátricos inclui intervenções farmacológicas e psicossociais. As primeiras referem-se ao emprego de antipsicóticos, antidepressivos, ansiolíticos, anticonvulsivantes, inibidores da colinesterase (ChEIs) e memantina. As intervenções psicossociais compreendem a estimulação sensorial (música, aromoterapia, massagem); as atividades estruturadas baseadas no desempenho funcional e no interesse da pessoa idosa com demência; o contato social; a formação e treinamento dos cuidadores; entre outras.

As intervenções psicossociais devem ser a primeira opção de tratamento, seguidas pela medicação menos prejudicial, pelo menor tempo possível. Destaca-se ainda que essas intervenções contribuem para a prevenção, o gerenciamento, a diminuição ou supressão da ocorrência dos sintomas, e para redução do estresse do cuidador.

Existe assim muito a ser feito pelo cuidador no cotidiano do idoso; cabendo nessas situações muita leitura, muita conversa com os profissionais envolvidos no processo e um processo de tentativas para achar as melhores estratégias de intervenções psicossociais.

Fonte: Perdigão LMNB, et al. Estratégias utilizadas por cuidadores informais. Rev Ter Ocup Univ São Paulo. 2017 maio/ago.;28(2):156-62.

Imagem: Katemangostar – Freepik.com

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Editora-chefe do Reab.me. Terapeuta Ocupacional (UFPE). Especialista em Tecnologia Assistiva (UNICAP). Mestre em Design e Ergonomia (UFPE). Consultora em Tecnologia para Reabilitação.

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